Da dó ver a lavoura do Germando Modenez no bairro Timboré Jangada em Andradina. Os mamoeiros morrendo e os frutos apodrecendo. Prejuízo monstruoso, porque a planta poderia render 120 quilos em um ano de colheita, mas já está sendo abandonada no segundo mês da safra.
Os pés de mamão tiveram maturação antecipada, dias depois de um avião ter lançado produto sobre lavoura de cana distante cerca de 500 metros de sua plantação de 7 mil pés. Foi iniciada até uma “negociação com representantes da Usina Gasa”, disse Germando. “A gente se reuniu bem aqui, ao lado da lavoura e os técnicos deles ficaram calados; depois de duas horas de conversa, disseram que não iriam pagar nada; acho que é devido a gente não ter condições de provar que o produto foi realmente o mesmo aplicado pelo avião sobre a plantação da cana” disse Germando. Para o agricultor não há dúvidas e diz: “eu planto mamão desde 1979, sei o que estou falando”; e para Germano os usineiros sabem que foi o maturador, mas se protegem na falta de condições de se confirmar a prova técnica.
“Procuramos vários laboratórios no Brasil e nenhum disse ter condições de fazer o exame; em Ilha Solteira, um doutor da Unesp falou que dois dias depois da contaminação é impossível localizar o produto porque a planta faz a absorção”, afirmou Gabriel, o filho mais velho de Germano. Gabriel disse que os frutos amadurecem por inteiro, rapidamente até hoje, dois meses após a contaminação e a massa do mamão tem cor esbranquiçada e dura, com pouco doce. “Não tem valor comercial”, disse Gabriel.
Mesmo assim a família constituiu advogado e está buscando uma forma de ressarcir o prejuízo. Só para o plantio o custo foi de R$ 140 mil.
As autoridades técnicas de Andradina estão recomendando intervenção do Ministério Público, para que mesmo sem a prova técnica, seja tomada providências para um acordo e definição de controle dessas aplicações nas lavouras de cana. Caso contrário, o abandono das lavouras por parte dos agricultores familiares ou seus prejuízos sem a colheita poderão afetar o abastecimento de alimentos e comprometer a segurança alimentar. O Ministério Público no entanto, ainda não se manifestou e espera ser provocado por um ofício, segundo informou uma assistente de promotoria que recepcionou nossa reportagem.
USINA GASA SE MANIFESTAA redação do jornal Noroeste Rural recebeu a seguinte mensagem da assessoria de comunicação da Usina Guanabara S.A. pertencente ao Grupo Raízen.: “A Raízen informa que não há até o momento qualquer conclusão acerca dos danos alegados pelos produtores rurais e de sua eventual responsabilidade nesse fato. A empresa reforça sua preocupação com a comunidade e ressalta que adota as melhores alternativas disponíveis no mercado para minimizar eventuais impactos de sua operação em outras atividades da região”.