Em entrevista ao Hoje Mais Andradina, o empresário Mário Celso Lopes, falou da polêmica sobre as divulgações das J&F após decisão da Justiça de Mato Grosso do Sul que concedeu uma antecipação de tutela contra o grupo e devolveu a ele 8,24% das ações da empresa Eldorado Papel e Celulose, com sede em Três Lagoas.
Após “três rounds” sem reverter a decisão do desembargador Nélio Stabilile, a J&F teria iniciado na última segunda-feira (16) uma série de publicações contando a sua “parte na história”.
“É preciso esclarecer e fazer um desmentido dessas notas que a J&F e o seu mentor (Joesley Batista) vem fazendo constantemente depois das derrotas que ele sofreu na Justiça e até tentando desmerecer as decisões judiciais, como é de costume de praxe da parte dele fazer”, disse Mário.
Segundo o empresário, os movimentos dos Irmãos Batista são em busca da opinião pública através de “espaços comprados na mídia”, verdadeiros informes publicitários adquiridos por eles depois de derrotas sofridas na Justiça.
Nas notas na mídia nos últimos dias a J&F afirma ter concretizado e pago pela compra da parte de Mário Celso Lopes na Eldorado em 2012. Nos documentos apresentados pela Holding de Joesley e Wesley Batista apontam que Mário Celso concordou com a incorporação da Florestal fato que teria diluído sua participação societária.
“Eles apresentam fragmentos de depoimentos e documentos para tentar distorcer a verdade: eu não vendi a totalidade da minha parte aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&f”, disse.
Segundo Mário, tanto a Eldorado como a Florestal foram constituídas em seu escritório em Andradina (SP), “Tínhamos participação acionária nas duas. Eles entraram depois nas duas empresas e finalmente eu tinha uma participação acionária na Eldorado de 25% depois de diluições que aconteceram no caminho e na Florestal, eu tinha 24,5%. Quando ele conduziu a incorporação 'com os meios que ele utilizou', que são públicos até objetos opções de delações que ele mesmo fez, a Florestal desapareceu, ela foi absorvida, foi incorporada na Eldorado, portanto a minha participação na Eldorado que era 25% foi diluída para 16,72%. Nós tínhamos um acordo de acionista um contrato celebrado que não permitia qualquer redução de participação acionária da minha parte, qualquer redução que acontecesse ele teria que fazer a reposição e eu sofri essa diluição 16,72%. No tocante a empresa Florestal foi pior ainda”, explicou Mário.
"Quando eles lançam uma divulgação dizendo que 'a declaração ocorreu quando Mário Celso foi preso por fraudes a fundos de pensão'... isso aqui é uma coisa que é até ridículo comentar. Quem foi preso foi ele e ficou 8 meses e pouco em uma cela e depois ficou mais 2 anos com uma tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar. Então eu não tenho nem resposta pra um presidiário, é isso que eu posso dizer", afirmou Mário Celso.
Mário reafirma que vendeu os 16,72% que estão no contrato e a diferença (8,24%) nunca foram repostas e está é a ação que ele move e que ganhou a decisão favorável que lhe garante voto entre os acionistas.
Mário Celso afirma ainda que a venda da Eldorado ao grupo empresarial Paper Excellence, da Indonésia, foi feita sem seu conhecimento oficial, e que a negociação envolveu a execução de um projeto de instalação da segunda fábrica da empresa em Três Lagoas, projeto que está parado por conta do litígio entre a J& F e a Papper Excelence.
“Eles venderam a empresa inteira e não entregaram. A decisão sobre minhas ações desiquilibra e afasta a J&F do controle acionário da empresa”, afirma o empresário que, em caso de vitória judicial contra o grupo de Joesley e Wesley, admite a possibilidade de negociar suas ações com a Paper Excellence.
Em nota a Assessoria de Imprensa da J&F manifestou-se sobre as publicações. Confira a íntegra:
A J&F Investimentos reitera que adquiriu em 2012 a totalidade da participação de Mario Celso Lopes em sua sociedade na Eldorado Brasil Celulose. Ele recebeu 300 milhões de reais pelos 25% que detinha da companhia. Sua participação, portanto, nunca foi diluída, ao contrário do que Mario Celso alega para tentar sustentar a farsa que promoveu. Todos os documentos que desmontam a versão mentirosa de Mario Celso foram apresentados à Justiça e têm sido amplamente divulgados na imprensa. A J&F confia na Justiça e está segura de que a verdade prevalecerá.