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Mulher de motorista andradinense morto com Covid teve que apresentar fotos no celular para liberar corpo

Todos os pertences do motorista andradinense sumiram

Da Redação - Cuiabá/MT 
18/05/20 às 15h12
Motorista passou mal durante viagem e descobriu estar com Covid 19 (foto: Arquivo Pessoal)

O motorista andradinense Edvaldo Ferraris da Silva (48) morreu na Santa Casa de Cuiabá no último dia 14 em decorrência a complicações do novo coronavírus.

Ele foi enterrado no último sábado apenas com a presença da esposa, Adriana Ferraris, uma cunhada e de um colega do trabalho.

Pelo fato de todos os pertences do motorista terem desaparecido, incluindo um celular, roupas e dinheiro, Adriana só conseguiu sepultar o marido pois tinha fotos do relacionamento em seu aparelho de celular.

“Quando cheguei à Santa Casa de Cuiabá para enterrar o corpo descobri que tudo desapareceu, até a chave do caminhão da empresa que ficou em Guarantã do Norte. Descaso total! Estou indignada, não pelo dinheiro, mas os pertences dele: celular, roupas e os documentos”, acrescentou a ajudante, que ainda está na Capital ultimando acertos trabalhistas do marido.

O advogado da família vai notificar a Santa Casa de Cuiabá para providenciar a localização dos documentos, celular e valores constantes na carteira. Caso contrário ajuizará ação e responsabilização da instituição pelos danos causados e constrangimentos.

O caso

O emprego em uma transportadora veio após mais de cinco meses parado, por conta de uma cirurgia no quadril. Ele passou mal logo na primeira viagem, ao estado do Pará. Ele acionou a mulher por telefone e essa recomendou que ele procurasse um médico. Ele reclamava da garganta inflamada.

Ele procurou um médico em Guarantã, no norte do estado de Mato Grosso, e de lá foi transferido para Peixoto de Azevedo/MT onde foi diagnosticado com Covid 19. Ele acabou transferido para a Santa Casa de Cuiabá, em um avião com cápsula de isolamento.

Evaldo mantinha contato frequente com a esposa e pediu para ela ir a Cuiabá o mais rápido possível. “A gente se comunicava e ele mandava fotos, até ser transferido para Cuiabá e entubado. Morreu quinta-feira 14, às 21h23, mas só fui avisada às 10h da manhã da sexta 15”, relatou Adriana.

Eles eram casados havia 18 anos, mas não tiveram filhos. Em Andradina ele trabalhou como mecânico nas oficinas do Donatto e Chevette, essa última seu derradeiro emprego antes de começar a pegar a estrada em 2010.

O motorista era filho do servidor municipal aposentado Aparecido José da Silva e Aminadabe Ferraris da Silva e irmão de Elaine e Eduardo – esse último que vive e trabalha no exterior.

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