Depois, ela foi encaminhada ao hospital, onde fez exame eletrocardiograma e foi medicada. A paciente não precisou ser internada, mas lembra do susto e da certeza de que iria morrer. Ela recebeu alta, e o estado de saúde melhorou. “Eu sempre fui gordinha, mas você começa a ver nas redes sociais que as pessoas estão tomando e está fazendo efeito. Elas vão na academia e tem aquele corpo definido. A gente quer aquilo também. Pensei: ‘Por que não tentar? Com todo mundo está dando certo, comigo também vai dar’”, lembra a mulher.
“Achei que iria morrer. Fiquei com muito medo. Não podemos confiar nas pessoas, mesmo nas que conhecemos, não sabemos a procedência, devemos sempre buscar orientação médica, nossa saúde é tudo, não vale a pena colocar a vida em risco pela busca de resultados rápidos”, concluiu a mulher.
À reportagem, ela ainda revelou que não sabia sobre a proibição desse tipo de medicamento no Brasil.
Risco
À
TV TEM
, o endocrinologista Flávio Pirozzi, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Diabetes em São Paulo, alertou para o risco de comprar remédios sem procedência e fazer as aplicações sem acompanhamento médico.
O princípio ativo de uma dessas medicações é a tirzepatida. A venda não é proibida no Brasil, mas a comercialização e uso são restritos.
O medicamento original é aprovado para diabetes tipo 2 e exige receita médica, enquanto a Anvisa proibiu a importação e venda de canetas irregulares sem registro, sendo a maioria produzida no Paraguai.
Segundo o médico, quando indicadas por um médico, as canetas emagrecedoras podem contribuir para o tratamento da obesidade, mas o uso indiscriminado e a compra de revendedores não autorizados são perigosos.
“Quando a pessoa usa uma medicação que é manipulada ou contrabandeada, ela coloca em risco a própria saúde, porque aquela substância que ela está aplicando no corpo é algo que não sabemos qual é a procedência”, explica o médico.
Comercialização ilegal
Somente no ano passado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, no estado de São Paulo, 17.890 canetas e ampolas contrabandeadas. Só nos primeiros 15 dias deste ano, foram apreendidas quase
mil unidades dessas medicações
nas rodovias no noroeste paulista.