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Mulher fica com mãos e pés dormentes após injetar caneta emagrecedora vendida de forma ilegal: 'Achei que iria morrer'

Caso ocorreu em dezembro do ano passado com uma mulher de 41 anos, em São José do Rio Preto (SP). Endocrinologista alerta para o risco de comprar remédios sem procedência.

G1 Rio Preto e Araçatuba, TV TEM - Por Desirèe Assis / Gridânia Brait
23/01/26 às 12h40
Canetas emagrecedoras devem ser aplicadas com indicação médica — Foto: Reprodução / TV TEM

Uma mulher de 41 anos, moradora de  São José do Rio Preto  (SP), ficou com as mãos e os pés dormentes e teve taquicardia após injetar uma caneta emagrecedora  vendida de forma ilegal no país  e sem prescrição médica. O caso ocorreu em dezembro do ano passado.

Ao  g1 , a mulher, que não vai ser identificada, contou que comprou a caneta de  lipoless  pelas redes sociais, através do perfil de outra mulher, com promessa de resultados rápidos e “milagrosos” nos anúncios. As quatro ampolas vieram do Paraguai e estavam embaladas em uma caixa.

Sem indicação e sem avisar a família , a mulher tomou uma única dose da medicação, de 5 ml, no dia 3 de dezembro. Os sintomas começaram a aparecer horas depois. Entre eles, náusea, fraqueza, dor de cabeça, respiração ofegante, mãos e pés com formigamento e taquicardia.

Endocrinologista Flávio Pirozzi, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Diabetes em São Paulo — Foto: Reprodução/TV TEM

Depois, ela foi encaminhada ao hospital, onde fez exame eletrocardiograma e foi medicada. A paciente não precisou ser internada, mas lembra do susto e da certeza de que iria morrer. Ela recebeu alta, e o estado de saúde melhorou. “Eu sempre fui gordinha, mas você começa a ver nas redes sociais que as pessoas estão tomando e está fazendo efeito. Elas vão na academia e tem aquele corpo definido. A gente quer aquilo também. Pensei: ‘Por que não tentar? Com todo mundo está dando certo, comigo também vai dar’”, lembra a mulher.

“Achei que iria morrer. Fiquei com muito medo. Não podemos confiar nas pessoas, mesmo nas que conhecemos, não sabemos a procedência, devemos sempre buscar orientação médica, nossa saúde é tudo, não vale a pena colocar a vida em risco pela busca de resultados rápidos”, concluiu a mulher.

À reportagem, ela ainda revelou que não sabia sobre a proibição desse tipo de medicamento no Brasil.

Risco

À  TV TEM , o endocrinologista Flávio Pirozzi, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Diabetes em São Paulo, alertou para o risco de comprar remédios sem procedência e fazer as aplicações sem acompanhamento médico.

O princípio ativo de uma dessas medicações é a tirzepatida. A venda não é proibida no Brasil, mas a comercialização e uso são restritos.

O medicamento original é aprovado para diabetes tipo 2 e exige receita médica, enquanto a Anvisa proibiu a importação e venda de canetas irregulares sem registro, sendo a maioria produzida no Paraguai.

Segundo o médico, quando indicadas por um médico, as canetas emagrecedoras podem contribuir para o tratamento da obesidade, mas o uso indiscriminado e a compra de revendedores não autorizados são perigosos.

“Quando a pessoa usa uma medicação que é manipulada ou contrabandeada, ela coloca em risco a própria saúde, porque aquela substância que ela está aplicando no corpo é algo que não sabemos qual é a procedência”, explica o médico.

Comercialização ilegal

Somente no ano passado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, no estado de São Paulo, 17.890 canetas e ampolas contrabandeadas. Só nos primeiros 15 dias deste ano, foram apreendidas quase  mil unidades dessas medicações  nas rodovias no noroeste paulista.

Ampolas de tirzepatida apreendidas na BR-153 em São José do Rio Preto (SP) — Foto: Reprodução / PRF

Em entrevista à  TV TEM , o delegado Alexandre Manoel Gonçalves, da Polícia Federal em Rio Preto, explicou que os remédios emagrecedores só podem ser comercializados no Brasil com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Quem desrespeita as normas, pode sofrer penalidades nas esferas criminal e civil.

“Além da parte penal, que vai ter um inquérito policial, muitas vezes uma prisão em flagrante que vai depois para a Justiça, todos eles vão ter a responsabilização fiscal, porque são produtos de origem estrangeira, sem a regular internalização no Brasil”.

Ele também pontua que, além do risco de ser uma medicação sem procedência, o armazenamento e o transporte ilegal tornam o consumidor ainda mais vulnerável.

“O produto não vem refrigerado. Muitos estão em ampolas fracionadas e que às vezes passam longas viagens ao sol, no calor, e a gente fica preocupado com o resultado desse produto trazido de forma tão precária”, finaliza o delegado.

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