O Governo do Mato Grosso do Sul criou um mecanismo de proteção da economia do Estado, parecido com aquele que o Trump quer ampliar aplicar nos Estados Unidos.
É a proteção de sua indústria, taxando a saída da matéria prima, ou a entrada dos manufaturados. Com isso o Mato Grosso do Sul exige que todo boi e toda vaca que vem para o Estado de São Paulo, pague cerca de 4 a 5% a mais de imposto. O boi e a vaca permanecendo no Mato Grosso do Sul gera mais empregos, renda e impostos.
Porém esse artifício reduz o preço dos animais no Estado do Mato Grosso do Sul e eleva em São Paulo que hoje, tem um rebanho bem menor de bovinos para criação. Em meados de março, logo depois do anúncio da investigação sobre as fraudes no SIF- Serviço de Inspeção Federal, o preço da arroba do boi em Três Lagoas (MS) estava em R$ 133,00. A 35 quilômetros dali, em Andradina (SP), a arroba foi negociada a R$ 145,00, ou seja, uma diferença de 8,2%.
Pior ainda é que no Mato Grosso do Sul, o sacrifício dos pecuaristas em entregar seus animais a preços mais baixos, representa benefício a um monopólio industrial, onde o JBS representa cerca de 90% das compras de gado em todo Estado.
Nos últimos anos a concorrência de preços reduziu drasticamente porque em Nova Andradina o Frigorífico Independência fechou as portas. O Minerva de Bataiporã tinha 2 indústrias, agora tem só uma. O JBS tem 5 unidades de abate e é quem dita o preço do gado no Estado.
No Estado de São Paulo, os pecuaristas deixaram de fazer o processo de cria de animais no Mato Grosso do Sul. Um deles foi Jorge Nakaguma, de Andradina. Ele tem propriedade no Mato Grosso do Sul e São Paulo. Antes ele criava o gado no Mato Grosso do Sul e trazia uma parte para ser engordada no Noroeste Paulista. Agora ele faz todo processo de cria, recria e engorda em Guaraçaí, no Estado de São Paulo. Ele também é contra essa política de criar taxas e impostos para proteger o Estado.
Em Três Lagoas existe uma barreira de fiscalização da Receita Estadual, que confere os registros de pagamento de impostos, quando os caminhões de gado estão passando. A vulnerabilidade do sistema está na possibilidade do grande volume de dinheiro envolvido, estimular a corrupção.