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Parte da história regional está abandonada em Itapura

Palácio de D. Pedro, como é chamado pela população regional, resiste ao tempo e descaso dos governantes

LR1
15/08/16 às 10h17

O "Palácio de D. Pedro", um sobrado da época do Brasil Império, quando foi instalada a Vila Militar de Itapura, próxima à foz do lendário Tietê e o caudaloso Paraná , está em ruínas há tempos. O Projeto de Restauração do Sobrado Histórico de Itapura, o Castelo de D. Pedro II , está pronto, mas falta dinheiro para execução da obra, orçada em quase R$ 2 milhões. 

O município alega não ter como investir todo este volume de dinheiro da obra e o Estado, mesmo o prédio tendo reconhecimento do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de São Paulo, não sinaliza com ajuda para o trabalho.

O projeto de restauração custou R$ 250 mil e o dinheiro foi liberado pelo governo paulista. Muitas pessoas chegaram a pensar que o dinheiro seria para execução da obra, mas foi apenas para o projeto. A proposta é buscar o apoio de empresas privadas para execução da obra. Mas, até agora, pouco foi feito neste sentido.

O projeto foi elaborado pelos profissionais Carlos Ferrata, Diego Vernille da Silva, Fábio Takayama Garrafoli e Miriane Sugawara. O projeto traz uma novidade: a acessibilidade. Está prevista construção de uma estrutura lateral, para dar suporte a escadas e elevadores para acesso de cadeirantes e outras pessoas com mobilidade reduzida. O prédio será destinado a museu e biblioteca.

HISTÓRIA

Devido aos problemas com as fronteiras e o isolamento da província de Mato Grosso, o governo brasileiro, em meados do século 19, decidiu criar colônias militares e base navais. Foram várias em Mato Grosso e duas em São Paulo: Avanhandava e Itapura. Ambas ao lado de saltos no Rio Tietê.

 

O oficial da Marinha Antonio Mariano de Azevedo fez incursão no ano de 1857 para definição da localização das colônias. A colônia de Itapura foi a única do Brasil a ser base naval e colônia militar ao mesmo tempo, devido sua situação geográfica privilegiada e a preocupação na manutenção da integridade nacional reinante aquele momento de guerra.

Foi visto como um estabelecimento especial recebendo mais recursos que todas as outras colônias militares brasileiras juntas. Essa diferença de tratamento diz respeito à origem dos recursos, advindos do Ministério da Marinha, órgão de prestigio junto ao governo e possuidor de alta dotação orçamentária, que tinha em Itapura sua única base naval interiorizada.

Criada oficialmente pelo Decreto Imperial 2.200 de 26 de junho de 1858, o Estabelecimento Naval e Colônia Militar do Itapura teve como primeiro diretor e projetista o oficial da Marinha, Antonio Mariano de Azevedo. Nesta época foi construído o sobrado, denominado Palácio de D. Pedro.

INFLUÊNCIA REGIONAL

No ano de 1888 o capitão Joaquim Ribeiro da Silva Peixoto comandava a guarnição de Itapura, composta por 40 homens escolhidos. Um deles, João Elias, iniciou uma investida na Barra do rio Sucuriú, acima da corredeira do Jupiá. 

Mais tarde, Elias convenceu Protázio Garcia Leal a estabelecer comércio em Itapura. Poucos anos, depois o comércio chegou ao outro lado do Rio Paraná, dando origem a Três Lagoas. (Com informações de Antônio José do Carmo)

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