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Polícia apura se apoiador de Bolsonaro soube de festa temática do PT ao visitar clube na tarde antes do crime

Testemunha contou à polícia que Jorge Guaranho foi a um churrasco no clube onde o aniversário da vítima aconteceria. Como já havia sido dirigente do estabelecimento, pode ter tido acesso às câmeras de segurança que mostravam o salão em que o crime aconteceu. Informação vai ser cruzada com outros depoimentos e perícias.

G1
13/07/22 às 15h05
O petista Marcelo Arruda (esq.) foi morto por Jorge Guaranho (dir.), apoiador de Bolsonaro — Foto: Reprodução

Uma testemunha relatou à Polícia Civil do Paraná que Jorge Guaranho, o apoiador de Bolsonaro que matou um tesoureiro do PT no último fim de semana, ficou sabendo de antemão que a festa onde o crime ocorreu teria decoração sobre o partido e o ex-presidente Lula. 

No último fim de semana, Guaranho invadiu a festa do tesoureiro do PT Marcelo de Arruda e, aos gritos de "Aqui é Bolsonaro", executou-o a tiros. 

A comemoração ocorria na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu (Aresf), da qual Guaranho já foi diretor.

A testemunha contou que, no sábado (9) – horas antes do crime, portanto – Guaranho foi a um churrasco e futebol no local. Lá teria tido acesso às imagens de câmeras de segurança que mostravam que haveria uma festa decorada com fotos do ex-presidente Lula e símbolos do PT. 

A suspeita da polícia é que, após ver essas imagens, Guaranho – que, segundo os investigadores, tinha "mania" de fazer rondas pelo local – decidiu ir até o local no momento em que a comemoração acontecia. Investigadores apuram se ele teria tido acesso a imagens pelo celular, remotamente, ou no próprio local.

Imagens mostram o momento em que ele para de carro em frente à festa e discute com as pessoas que ali estavam. A viúva do tesoureiro do PT conta que, naquele momento, o apoiador de Bolsonaro disse que voltaria. "Vou matar todos vocês, seus desgraçados", teria dito.

Quinze minutos depois, Guaranho efetivamente voltou e deu início aos disparos ainda de dentro de seu carro. 

A informação de que o assassino ficou sabendo que a festa no clube tinha temática petista reforça a suspeita de que ele premeditou o crime – e não apenas reagiu a uma agressão, como tenta fazer parecer o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na terça-feira (12), o presidente disse a apoiadores que "o cara que morreu [o tesoureiro do PT], que estava lá na festa, jogou uma pedra no vidro daquele cara que estava no carro do lado de fora [o apoiador de Bolsonaro]. Depois ele voltou e começou aquele tiroteio lá onde morreu o aniversariante."  

Bolsonaro não citou as provocações iniciais que seu apoiador fez aos participantes da festa do petista.

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