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Produto lançado na cana é suspeito de destruir lavouras e vegetações

Há pomares que não crescem, lavouras que morrem e tanto na cidade como no campo, muitas árvores estão secando.

Noroeste Rural - Antônio José do Carmo
09/06/16 às 09h41
(Antônio José do Carmo)

Há pomares que não crescem, lavouras que morrem e tanto na cidade como no campo, muitas árvores estão secando. O elemento invisível que causa esses danos começa ser identificado e tem a ver com as lavouras de cana. 

Em Castilho, Roberto Lindolfo do Sítio Irapuru, bem próximo da usina Viralcool diz que já tem um laudo confirmando que o maturador lançado de avião agrícola sobre a plantação de cana é o responsável pela morte dos pés de laranja e limão que ele plantou há três anos. As folhas vão ficando esbranquiçadas e enrugadas. As plantas deixaram de crescer e não produzem frutos.No Centro de Castilho, o agrônomo da Casa da Agricultura Pedro Boaventura diz que as árvores urbanas também estão apresentando manchas brancas nas folhas e que no campo, há registros de danos causados também em lavouras de urucum. Para Boaventura, a maior suspeita é dos produtos lançados nas lavouras de cana.

CASOS NA JUSTIÇAMas a situação mais grave foi registradas nas grandes lavouras de tomate, no bairro Timboré Vista Alegre em Andradina. A família Sicotti está cobrando de uma usina de Álcool, indenização acima de R$ 500 mil, pelo dano causado à sua lavoura de tomate que teria sido atingida por um produto que controla a maturação da cana. A ação judicial já deu entrada no Fórum.

Perto de sua lavoura, a família de outro agricultor de tomate, Rafael de Souza Veanholi também entrou na justiça contra um produtor de cana que é seu vizinho. Rafael que esse ano está cultivando cerca de 45 alqueires de tomate, com expectativa de faturamento acima de uma dezena de milhões de reais, diz que a contaminação é causado pelo vento que traz para sua lavoura, o agrotóxico que se lança nas lavouras de cana que dominam toda região.

A reportagem teve informações que também na lavoura de mamão com 7 mil pés, pertencentes a Germano Moedenez, foi verificado que coincidentemente, logo após a pulvernização ocorrida nas proximidades para manutenção da cana, os frutos do mamoeiro amadureceram antecipadamente causando prejuízo na colheita. A lavoura fica em Andradina, no Timboré Jangada.

PALAVRA DO TÉCNICOO pesquisador Humberto Sampaio de Araújo, agrônomo que atua na APTA- Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio diz que “A preocupação procede. O ano passado nós tivemos condições climática que desfavoreceram algumas variedades. Essa intoxicação de outras plantas ocorreu principalmente nesse período. Observamos em árvores, culturas de tomate, maracujá, plantas que apresentavam sintomas de fitotoxidade e que muito provavelmente causadas por alguns produtos como maturadores de cana”. Sampaio disse que é preciso fiscalizar as formas de aplicação, para que o vento não leve o produto para longe. Ele defende uma discussão mais ampla com todos os envolvidos e o Ministério Público Ambiental.

AS USINASA reportagem do jornal Noroeste Rural aguarda a conclusão de laudos periciais realizados na região de Andradina e o ajuizamento das ações indenizatórias para citarmos as empresas que já se figuram como ré na acusação de crime ambiental.

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(Antônio José do Carmo)
(Antônio José do Carmo)
(Antônio José do Carmo)

ABELHAS

Produtores de mel no município de Castilho também estão denunciando que depois da aplicação dos venenos na lavoura de cana, as colmeias estão ficando vazias, abandonadas sem abelhas. Para eles, também as abelhas estão morrendo com suspeita de terem sido intoxicadas pelo agrotóxico dos canaviais. Na próxima edição do jornal Noroeste Rural, vamos visitar produtores na região do Pontal do município de Castilho, onde pelo menos um apicultor está abandonando a atividade por causa disso. e produzir reportagem especial. 

(Antônio José do Carmo)
(Antônio José do Carmo)
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