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Professor Tatau: Do Memória, da tradição e das lutas

A obra de “Professor Tatau” valoriza a vida em sua essência e transforma a vida de pessoas de toda a cidade.

Andradina
28/06/16 às 19h07
(Cleber Carvalho)

Comprometimento e aprendizado, fazem parte da bagagem de Wellington Egídio Soares (31), o “Professor Tatau”, “formado” de capoeira que desenvolve aulas no Projeto Nasce de Andradina, que leva ensinamento da cultura-arte a dezenas de alunos.

É de Andradina em coração, apesar de nascido em Guaraçaí. “A capoeira entrou na minha vida desde a infância, como forma de um garoto hiperativo, gastar energia”, diz.

E já se vão 25 anos e muitas barreiras vencidas até chegar onde e está e ainda prosseguir com seus objetivos para o futuro, levar a capoeira, e tudo de bom que ela proporciona na vida para o maior número de pessoas possíveis. Ele perseguiu o sonho e ao 14 anos já era graduado e se dedicou a dar aulas como voluntário em escolas e até mesmo no Corpo de Bombeiros.

 “A minha vida foi transformada de todas as maneiras com a capoeira. Aprendi a respeitar mais as pessoas. Quando chegava perto de algum mais graduado que eu na capoeira eu pedia licença e levei esse respeito para casa e para todos os aspectos da vida, isso foi me reeducando e o mesmo acontece com meus alunos”, disse.

Os seus objetivos são descrito no grito de guerra que é repetido no final de cada aula: esporte, saúde e educação. “Essa é minha missão. Hoje eu pratico a capoeira como esporte e sou muito focado nisso”, diz.

Ele está há cinco anos no Nasce e atualmente as aulas são desenvolvidas no Ceu das Artes e Esportes no Benfica. As aulas reúnem alunos de todos os bairros da cidade. “A capoeira é um meio de comunicação e de igualdade, onde você não diferencia a classe social de ninguém muito menos de onde vem”.

Ele também desenvolve aulas no Camenor, Centro Cultural de Andradina e Recanto do Senhor Jesus, seguindo os objetivos do seu projeto “Educando com Memória”, que surgiu a partir da necessidade de trabalhar a Capoeira como ferramenta pedagógica para desenvolvimento integral do aluno. O projeto atende prioritariamente a população e grupos que se encontram em desvantagens e vulnerabilidade social, através do esporte, estimulando através de valores, atitudes e conquistas com seu esforço individual e coletivamente.

Em sua opinião, a capoeira ainda é marginalizada, mesmo que tenha saído do “código penal” para se tornar um patrimônio cultural. “Todos os capoeiristas de Getúlio Vargas pra trás eram condenados. Praticar capoeira era como cometer um roubo, O capoeira era julgado como marginal, mas hoje ela é um patrimônio cultural da humanidade. Infelizmente tem muito preconceito ainda”, diz.

Ele integra a Federação ABPC (Associação Brasileira de Professores de Capoeira) e no último levantamento da entidade a capoeira está presente em 33 países. “A capoeira tem até um campeonato de contato físico como em outras artes marciais. Defendo a capoeira luta (esporte), pois ela sempre foi uma luta. No tempo da escravidão era uma luta, dança disfarçada em luta. Ela evoluiu. Nasceu a capoeira Angola, depois a capoeira de Bimba e depois a contemporânea que é a que praticamos hoje”, explica.

Para “Professor Tatau”, nunca se pode esquecer do passado, e da defesa da cultura da capoeira. “Os mestres criadores da capoeira, como Bimba e Pastinha, morreram como indigentes mas manteram a chama viva. Tanto que hoje a capoeira está crescendo muito em popularidade e pode ser vista em novelas, programas de TV e até em filmes nacionais e internacionais”, mostra.

A capoeira também é usada como terapia para pessoas com limitações e deficiências físicas no trabalho do corpo e da mente. “Também tenho alunos com deficiência que amam o esporte. É muito gratificante o trabalho. Falo que dou aula de capoeira para formar melhores cidadãos.

Grupo Memória

O Grupo Memória iniciou suas atividades em 1985, nas cidades de Ilha Solteira e Pereira Barreto SP, tendo como mentores os Mestres Aranha e Vavá. Hoje é presente em todo o Brasil e no mundo,

 “O Mestre Aranha segurou e manteve o grupo por 30 anos. Não é fácil, ficar com um grupo que tem atuação no Brasil, Japão e Portugal, onde ele cuida de muitos professores e mestres que estão em constante atualização e todos os anos são testados e capacitados para se manter o grupo, com muita disciplina. É muito gratificante”, explica.

A cada capacitação os mestres do Grupo Memória ganham um alvará para ministrar aula por mais um ano usando o nome do grupo. “É a preocupação que o grupo tem de formar professores, atletas capacitados. Até mesmo aprendemos o jeito de se falar com crianças e adultos, temos aulas de boas maneiras e língua portuguesa e trato com os pais e mães de alunos”, explica.
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(Cleber Carvalho)
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