Ela nasceu Rodolfo, porém desde muito pequena, sente-se e age como mulher. Raphaella Freitas é transexual e hoje, aos 23 anos, luta para ser reconhecida pelo nome que escolheu e sonha com a possibilidade de fazer a cirurgia de readequação de sexo.
Raphaella conta que a mãe já percebia que ela era "diferente" desde os quatro anos de idade. "Eu ia para a creche e voltava vestido de menina, até com calçados femininos". Ela foi levada até um psicólogo que recomendou que a mãe apenas observasse, porque, até então era muito cedo para saber de algo mais específico.
Entretanto o caminho dela já estava traçado. "Eu colocava a toalha na cabeça para fingir que era cabelo e, aos seis anos, já olhava para as mulheres na televisão e queria ter seios e cabelos compridos." A mãe até tentou matriculá-la em atividades físicas que são, geralmente, oferecidas aos meninos, como karatê e natação, mas ela não sentiu muito afinidade com nenhuma delas.
Mesmo sem muito conhecimento, Raphaella passou a ingerir hormônios femininos aos 11 anos e isso ajudou a passar pela fase de não aceitação do próprio corpo, que é muito comum aos transexuais quando chegam à adolescência. "Desde muito cedo eu comecei a ter corpo de mulher e isso foi muito importante para mim."
O processo de transformação não foi muito fácil dentro de sua família, parte disso por causa de motivos religiosos. Apesar disso Raphaella fala com muito carinho da mãe e do irmão e diz que até hoje eles se emocionam quando lembram de sua trajetória.
Aos 13 anos então ela começou o ano como menino e terminou como menina. Na escola, tudo foi muito bem explicado desde o começo. "Fui até a diretora e disse que passaria a me vestir como mulher e gostaria que todos passassem a se referir à mim como Raphaella. Nunca sofri preconceito na escola. Hoje em dia até esqueço que nasci menino."
A menina já deu os primeiros passos em relação ao seu sonho com apoio do advogado Gil Ortuzal conseguiu mudar seu nome e buscou visibilidade na imprensa regional. Em 2016 ela venceu o concurso de Miss Diversidade TL, realizado em Três Lagoas-MS, já foi capa da Folha da Região, e também gravou uma reportagem para a Rede Record.
A decisão de fazer a readequação de sexo já está bem certa para ela. "Eu sei que são 18 horas de cirurgia e que muitas entram em depressão. Mas creio que isso acontece por que elas fazem esse procedimento achando que depois a sociedade vai mudar e não é bem por aí. Vou fazer isso por mim mesma e não pela sociedade. Isso tem a ver com aquilo que eu sinto e que não condiz com o corpo que eu tenho."
Raphaella diz ainda que as mulheres trans precisam se unir para batalhar em busca de espaço, principalmente no mercado de trabalho. "As portas precisam se abrir. Somos seres humanos e merecemos respeito."