Caro leitor, estimada leitora, permitam-nos falar hoje para uma classe a que dedicaram uma data – dia 15 de outubro – Dia do Professor. Infelizmente, na nossa concepção, é data triste. Temos a impressão de que a estabeleceram para todos se lembrarem do quanto o professor é desvalorizado, depreciado, desconsiderado da sala de aula aos governos por que passamos – seja de qual partido for!
Nenhum valorizou o professor. Mesmo os que se autoproclamam “defensores da educação”. Um parlamentar - políticos que elaboram e votam leis – recebe, estabelecido por ele próprio, salário de R$33.000,00, em média, fora as mordomias, sem obrigação de jornada. Para o professor, se chega a R$ 2,500,00 é muito e para jornada integral. E no que parlamentar contribui para o país? A grande maioria para aumentar o índice de corrupção!
Ou seja, ganham 33 mil para praticar corrupção, com raras exceções. Nem precisamos citar aqui nomes. O povo sabe. Lemos nas redes sociais, principalmente agora, em época de eleições, textos enormes de parasitas defendendo políticos ou partidos compostos de ladrões do dinheiro público, mas nenhum defendendo o professor. Utilizam grupos em whatsapp, facebook, instagram para defender seus interesses mesquinhos. Nossa!, quando pensamos o quanto valorizávamos a profissão de professor, pela sua importância... com que dedicação nos entregávamos para orientar, ensinar a raciocionar, e tudo inutilmente.
Que grande frustração! A nossa valorização genuína não foi e nem é compartilhada pela maioria dos alunos, pela grande maioria dos pais, por governo nenhum, e nem por quem comanda as próprias escolas. Lembramo-nos da primeira professora, a que começou a nos alfabetizar – Dona Annete! De professores brilhantes – Arnot, Almir, Adelino, Pedro, Lazinho, Geraldina, Arlete, Odete... pelos quais nutríamos enorme admiração e empatia, verdadeiros exemplos, profissionais nos quais nos espelhamos a ponto de querermos ser tão interessantes quanto eles. Daí sermos professor.
E hoje constatamos o quão é desrespeitado e desvalorizado o professor – e o que nos deixa pasmo: em que escala! A ponto de ser agredido em sala de aula pelo aluno e sob a complacência dos pais, que julgam ser o filho o suprassumo e o professor culpado pelas mazelas do adolescente que, em sua educação familiar, não aprendeu o que é ter limites. Pais – professor está em sala de aula para orientar, compartilhar conhecimentos didaticamente; educar, impor limites, é com vocês, no lar! Não joguem para o professor a responsabilidade única dos senhores. Professor não é babá, nem tio ou tia. É professor!
O sistema educacional está falido. Políticos ou partidos nenhuns, mesmo os que se arvoram em falar em educação, fizeram o que deveria ser feito pela educação. Houvesse sido feito lá atrás, e, certamente, não estaríamos lendo e ouvindo essas barbáries em redes sociais, em defesa de políticos, com ataques mútuos e babaquices de ambas as partes.
Não seríamos obrigados a ler ou ouvir palavras vindas de mentalidades tacanhas, disseminadas entre pessoas que, no mínimo, deveriam ter compostura. Não queremos desejar ao professor um “feliz dia dos professores”, porque a classe está tristíssima e sem opção.
Desejamos a todos os professores um dia ‘menos triste” neste dia que, perdoem-nos, mas entendemos que funciona como desencargo de consciência de uma sociedade que precisa sentir-se um pouco “menos cruel”, porque cruel já é! O professor já está acostumado a receber pouco.
Por isso, neste dia, caro professor, em meio a tantos socos, desprezo, desvalorização, resta este pequeno afago. Porém, como disse um pensador: não nos esqueçamos nunca de que ocupamos o subsolo da hierarquia educacional. Nada irá mudar.
Do diretor aos pais, todos são mais importantes que você, professor. Dizem que você é eterno, que o tempo apaga o giz, mas reforça o conhecimento. É verdade. Mas também é verdade que uma vez por ano temos um dia dedicado para sermos “menos triste”. É isso.