Polícia

Policial civil ajudou narcotraficante do PCC a tirar RG falso em SP

Com o documento falso obtido com a ajuda do policial, o criminoso, morto a tiros no ano passado, adquiriu uma das maiores empresas de ônibus da zona leste de São Paulo.

Colunista do UOL - Josmar Jozino
03/06/22 às 09h49
Jardim Anália Franco se tornou epicentro de um conflito sangrento envolvendo o PCC - Imagem: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Um investigador da Polícia Civil de São Paulo é acusado de ter levado pessoalmente o narcotraficante Anselmo Becheli Santa Fausta, 38, o Cara Preta, ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) para tirar um RG falso no IIRGD (Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt).

Com o documento falso obtido com a ajuda do policial, o criminoso, morto a tiros no ano passado , adquiriu uma das maiores empresas de ônibus da zona leste de São Paulo.

A informação foi divulgada pelo repórter Fábio Diamante na edição desta quinta-feira (2) no SBT Brasil. O IIRGD fica na região central da capital paulista e é o departamento da Polícia Civil responsável pela emissão de carteiras de identidade em São Paulo. Foi lá que Cara Preta, com o auxílio do investigador, tirou o RG com o nome falso de Eduardo Camargo de Oliveira.

Fontes policiais confirmaram à reportagem que o investigador foi afastado das funções e que a Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso. Ele também responde a processo no Tribunal do Júri por envolvimento em uma operação que terminou com a morte de dois inocentes. Cara Preta foi assassinado em dezembro de 2021 no Tatuapé, zona leste paulistana . Ele era um grande fornecedor de armas e drogas para o PCC. A morte dele acirrou o conflito na organização criminosa . Noé Alves Schaun, 42, acusado de matá-lo, foi decapitado pelo "tribunal do crime" da facção .

Empresa de ônibus Segundo policiais civis, foi com o nome falso de Eduardo Camargo de Oliveira que Cara Preta adquiriu a empresa de ônibus UPBUS Qualidade em Transportes Ltda. A companhia fechou contrato com a Prefeitura de São Paulo, através de licitação, no valor de R$ 574 milhões por ano. A empresa opera 13 linhas de ônibus na zona leste de São Paulo. O capital social era de R$ 1 milhão quando foi aberta. Posteriormente, o valor foi aumentado para R$ 20 milhões. Policiais disseram que parentes de Cara Preta e ao menos seis integrantes do PCC são acionistas da UPBUS.

Cara Preta era investigado por lavagem de dinheiro havia um ano. Na manhã desta quinta-feira (2), policiais civis realizaram uma operação para desarticular o esquema da organização criminosa comandada pelo narcotraficante no passado. Foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão, inclusive na sede da UPBUS, e em endereços ligados aos sócios da empresa. Em um dos locais, os agentes apreenderam fuzis, pistolas, revólveres e submetralhadora. O armamento estava legalizado em nome de colecionadores.

A Polícia Civil suspeita que as armas estavam em nome de laranjas a serviço do PCC para a prática de assaltos e outros crimes contra o patrimônio. No endereço de outro alvo apontado como um dos sócios da UPBUS foram encontrados R$ 50 mil em espécie.

O que diz a prefeitura A empresa de ônibus continua funcionando normalmente. A Polícia Civil sustenta que Cara Preta adquiriu a empresa para lavar dinheiro do tráfico de drogas e diz que não pediu a interrupção do serviço de transporte público prestado pela UPBUS porque a medida iria prejudicar milhares de usuários.

Advogados da empresa não quiseram se manifestar. Já a Prefeitura de São Paulo divulgou nota esclarecendo que não foi informada a respeito do teor das investigações, mas que irá acompanhar o caso e colaborar com a polícia naquilo que for solicitada.

A nota diz ainda que a UPBUS é concessionária operadora do transporte público, após ter vencido processo licitatório. 

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