Política

Vereadores aprovam e prefeito sanciona exploração de cassinos em Andradina

Baseada em proposta que ainda tramita no Senado Federal, a Lei Municipal nº 4.316/2025 abre caminho para concessões privadas de jogos “turísticos” na cidade.

H+ Andradina
29/10/25 às 09h36
Lei publicada no Diário Oficial

A Câmara Municipal de Andradina aprovou o projeto enviado pelo prefeito Mário Celso Lopes que o sancionou a Lei nº 4.316/2025, que autoriza a concessão de serviços de jogos à iniciativa privada em caráter turístico — uma iniciativa inspirada no Projeto de Lei nº 2.234/2022, que ainda tramita no Congresso Nacional e não foi aprovado em definitivo.

O texto municipal, publicado no Diário Oficial com data de 24 de outubro de 2025, declara como de “relevante interesse turístico e social” os serviços relacionados à exploração de jogos regulamentados pelo projeto federal, especialmente os realizados em cassinos integrados a resorts de alto padrão.

Entre os pontos centrais, a lei permite que o Poder Executivo municipal promova licitação na modalidade de diálogo competitivo - prevista na Lei Federal nº 14.133/2021 - para conceder a operação de cassinos e jogos regulamentados a empresas privadas.

A norma ainda prevê a instalação e operação de cassinos em empreendimentos turísticos, abrangendo roletas, cartas, jogos eletrônicos e similares, além de serviços acessórios como gastronomia, hospedagem e entretenimento.

Continuação da lei

Entretanto, o texto só terá efeito prático caso o projeto federal seja convertido em lei. O artigo 3º da Lei nº 4.316/2025 condiciona sua eficácia à aprovação nacional da proposta ou de norma equivalente que regulamente o funcionamento de jogos e cassinos no Brasil.

“A eficácia desta Lei está condicionada à conversão do Projeto de Lei n.º 2.234/2022 em Lei Federal”, diz o trecho sancionado pelo prefeito.

Atualmente, o Projeto de Lei 2.234/2022, que busca legalizar jogos de azar no país, foi aprovado apenas na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, e ainda precisa passar pelo plenário da Casa antes de seguir à sanção presidencial.

Mesmo assim, Andradina se antecipa à discussão federal e se torna uma das primeiras cidades do Brasil a autorizar, em lei local, a concessão de serviços de jogos, caso a regulamentação nacional venha a ocorrer.

Contexto Nacional

O Projeto de Lei nº 2.234/2022, de autoria do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), regulamenta jogos de azar como cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas online. O texto prevê a criação de resorts integrados e a destinação de parte das receitas para áreas sociais e turísticas.

A proposta divide opiniões no Congresso e na sociedade civil, principalmente por envolver questões morais, econômicas e de segurança pública. Enquanto defensores apontam a geração de empregos e aumento da arrecadação, críticos lembram que países que legalizaram o jogo sem controle eficaz enfrentaram aumento de criminalidade e endividamento social.

Problemas e riscos associados à jogatina

A aprovação da medida, no entanto, levanta uma série de alertas e controvérsias. Especialistas em economia e políticas públicas alertam que a liberação de cassinos, embora possa gerar empregos e atrair turistas, também traz riscos sociais graves, principalmente em cidades de pequeno e médio porte, como é o caso de Andradina.

Entre os principais problemas apontados, estão:

  • Vício em jogos e endividamento familiar: o fácil acesso às apostas pode levar ao aumento de casos de ludopatia - transtorno compulsivo por jogos -, comprometendo finanças pessoais e o bem-estar de famílias inteiras.
  • Aumento da criminalidade e lavagem de dinheiro: segundo estudos do Ministério Público e da Polícia Federal, ambientes de jogos são potenciais vetores para crimes financeiros, tráfico de drogas, prostituição e exploração de vulneráveis.
  • Desigualdade e impacto social: cidades turísticas com cassinos tendem a gerar riqueza concentrada em poucos empreendimentos, enquanto parte da população local pode enfrentar aumento do custo de vida e precarização de empregos temporários.
  • Dependência econômica: o turismo baseado em jogos pode criar economias frágeis e instáveis, dependentes de sazonalidades e da permanência de investidores privados.
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