Uma família de Andradina viveu um dos momentos mais dolorosos de sua história entre a noite de sábado e a manhã de domingo. Uma mulher de 31 anos, na 21ª semana de sua terceira gestação, perdeu o bebê que aguardava, um menino que seria o terceiro filho do casal.
Além da dor da perda, a família questiona a sequência de atendimentos médicos recebidos nos dias anteriores.
Segundo relato do pai à reportagem, na quinta-feira (5), a gestante procurou a UPA com pressão arterial elevada, recebeu medicação e foi liberada. Na sexta-feira (6), retornou à unidade com a pressão ainda alta e relatando que não sentia mais os movimentos do bebê.
De acordo com o familiar, como os profissionais não conseguiram identificar os batimentos cardíacos fetais com o equipamento disponível, a mulher foi encaminhada à Santa Casa. No hospital, teria sido realizado um exame de cardiotocografia, no qual, segundo o relato, os batimentos foram identificados. Ela recebeu alta sem a realização de ultrassonografia.
No sábado, diante da persistência da pressão alta e da ausência de movimentos do bebê, a família procurou novamente atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Conforme o pai, foram prescritos medicamentos e a orientação foi de continuidade do tratamento em casa.
Posteriormente, ao retornar à Santa Casa, um ultrassom confirmou a morte do bebê ainda no ventre materno. A família recebeu a opção de deixar o hospital e retornar no dia seguinte ou permanecer internada. O casal decidiu ficar na unidade.
A gestação foi interrompida por meio de indução medicamentosa do parto, e o bebê nasceu na manhã de domingo.
A mãe realizava acompanhamento pré-natal na UBS e, segundo o marido, nunca havia apresentado pressão alta, tendo histórico de pressão normalmente baixa. A alteração começou a ser percebida na quinta-feira.
Família busca esclarecimentos
O pai questiona os procedimentos adotados durante os atendimentos, principalmente diante da pressão elevada e da ausência de movimentos fetais relatada pela gestante. A família busca entender se outras medidas poderiam ter sido tomadas para investigar as condições do bebê.
O caso levanta questionamentos sobre os protocolos de atendimento a gestantes diante de sinais de alerta e reforça a importância da escuta e da investigação cuidadosa de cada situação.
A reportagem deixa o espaço aberto para que a Secretaria Municipal de Saúde de Andradina se manifeste, apresente esclarecimentos sobre os atendimentos realizados e informe quais procedimentos foram adotados no caso.
O caso também chama atenção para os indicadores de mortalidade infantil no município, que apresentam aumento, diferentemente do cenário estadual.
