Mais uma vez a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Andradina está no centro das reclamações da população. Nesta quinta-feira (18), diversos relatos enviados à reportagem apontam demora no atendimento, superlotação e situações que colocam em risco a saúde dos pacientes que procuram o serviço.
Um dos relatos mais preocupantes veio de um pai que procurou a unidade com o filho de apenas 3 anos, que chorava intensamente devido a uma forte dor de ouvido. Após três horas de espera, sem conseguir atendimento médico, mudaram pulseira dele de verde para amarela por conta do choro incessante, ele decidiu deixar o local e buscar outra alternativa para a criança.
Segundo o pai, a situação dentro da unidade era caótica. Ele afirma que havia apenas um médico realizando os atendimentos e que a recepção estava lotada.
"Meu filho não parava de chorar de dor. Ficamos esperando muito tempo e não fomos atendidos. Acabei indo embora porque não tinha condições de continuar ali", relatou.
Ainda de acordo com ele, durante o período em que aguardava atendimento, uma criança teria se engasgado e precisou ser socorrida pelos próprios pais, antes mesmo de receber qualquer assistência da equipe médica.
As reclamações envolvendo a UPA não são recentes. Ao longo da atual gestão municipal, moradores têm relatado frequentemente dificuldades para conseguir atendimento, demora excessiva e falta de estrutura para atender a demanda da população.
Entretanto, para quem necessita de atendimento em momentos de dor ou emergência, a realidade relatada continua sendo outra.
Outro caso que chamou atenção nesta semana envolve uma mulher que procurou a UPA após sofrer uma queda no último sábado. Conforme familiares, ela foi avaliada, recebeu uma imobilização com faixa e acabou liberada sem a realização de exames de imagem que pudessem apontar a gravidade das lesões.
Dias depois, diante da persistência das dores e da piora do quadro, a paciente buscou atendimento especializado em outra cidade. Lá, exames identificaram três fraturas, sendo uma delas exposta, situação que exigiu cirurgia imediata.
Segundo familiares, os médicos informaram que um diagnóstico mais preciso logo após o acidente poderia ter evitado parte das complicações enfrentadas atualmente pela paciente, que agora passa por um tratamento mais complexo e um processo de recuperação mais difícil.
Os relatos reforçam um sentimento crescente de insegurança entre usuários da rede pública de saúde de Andradina. Enquanto a população cobra respostas e melhorias no atendimento, episódios como os registrados nesta quinta-feira ampliam o debate sobre a capacidade da UPA de oferecer assistência adequada diante da demanda diária do município.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria Municipal de Saúde.
