O artista plástico andradinense Adélio Sarro viveu um dos momentos mais marcantes de sua carreira ao participar da criação do primeiro museu subaquático marinho do Brasil, localizado na Praia do Guaiúba, no Guarujá. O espaço que deve ser inaugurado em breve, promete unir arte, turismo e conscientização ambiental em um projeto inédito no país.
O centro de visitação subaquática contará com 15 esculturas em tamanho real produzidas em concreto por Sarro, instaladas a cerca de 8,5 metros de profundidade no mar. As obras retratam a cultura caiçara, o cotidiano paulista e importantes referências históricas e culturais brasileiras, transformando o local em um verdadeiro recife artificial voltado à preservação da vida marinha.
Assinadas por Adélio Sarro, as esculturas possuem entre 1,70 metro e 2,45 metros de altura e pesam até três toneladas. As imagens da instalação mostram as peças sendo içadas de um barco para dentro das águas do litoral paulista, em uma operação que chamou a atenção pela grandiosidade das obras.
As 15 esculturas foram produzidas ao longo de três meses, com o auxílio de outros três ajudantes. O trabalho exigiu dedicação intensa e técnicas especiais para garantir resistência ao ambiente marinho sem causar impactos negativos à natureza.
Durante o processo de submersão das esculturas, Adélio Sarro não conteve a emoção. Segundo o artista, o momento mais impactante aconteceu quando a escultura feita em homenagem ao pintor Candido Portinari começou a descer ao fundo do mar.
Sarro relembrou que, anos atrás, ao visitar o museu dedicado a Portinari, sentiu uma forte inspiração e uma “carga de energia” que despertou ainda mais sua paixão pela arte, motivando-o a seguir o caminho artístico. Ver agora uma homenagem ao mestre brasileiro sendo integrada ao primeiro museu subaquático do país representou muito a ele.
As obras representam personalidades e figuras ligadas ao desenvolvimento da cidade e do estado. Entre elas estão Osvaldo de Camargo, Cândido Portinari, Santos Dumont, São Francisco de Assis e Fernando Lee, engenheiro responsável por transformar a Ilha dos Arvoredos em um laboratório a céu aberto. O acervo também conta com esculturas que remetem ao cotidiano e à cultura marítima, como sereia, pirata, surfista, indígena, pescador, marinheiro, “Sons do Mar”, imigrante italiano, mulher abraçando e estivador com saca de café.
Além de fomentar o turismo ecológico e cultural, o projeto possui caráter educativo e ambiental. Segundo a Prefeitura do Guarujá, a visitação será gratuita, embora seja recomendada a contratação de escolas e operadoras de mergulho para o turismo de contemplação.
O projeto do Guarujá já é considerado um marco para o turismo sustentável brasileiro, colocando a arte nacional em evidência debaixo d’água e eternizando o talento do artista andradinense Adélio Sarro em um cenário inovador e histórico.
