Muitas vezes interpretadas como desinteresse pelos estudos ou falta de disciplina, as dificuldades de aprendizagem podem esconder problemas que, quando não identificados a tempo, acabam afetando não apenas o desempenho escolar, mas também a autoestima e o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.
Esse é o alerta da educadora Juliana, conhecida como Tia Ju, do Reforço Escolar Kids Teens, que há cerca de cinco anos atua com reforço escolar em Araçatuba. Segundo ela, a procura por apoio pedagógico costuma acontecer quando os pais percebem que os filhos não conseguem acompanhar o ritmo da turma ou apresentam dificuldades persistentes em conteúdos básicos.
"Os sinais de que uma criança precisa de apoio pedagógico costumam aparecer rapidamente. Não demora para que pais e educadores percebam dificuldades no processo de aprendizagem"
, afirma.
Alfabetização
Atendendo estudantes desde o período de alfabetização ao 9º ano do ensino fundamental, Juliana explica que as maiores demandas estão concentradas justamente nos períodos considerados mais desafiadores da vida escolar: a alfabetização e a transição para os anos finais do ensino fundamental.
Segundo Juliana, não é raro encontrar alunos dos anos finais do ensino fundamental com dificuldades em conteúdos que deveriam ter sido consolidados anos antes.
"Temos alunos do sétimo ano que precisam revisitar conteúdos do quinto e até do quarto ano porque não conseguiram desenvolver determinadas habilidades no momento adequado"
, relata.
Entre os alunos atendidos estão crianças e adolescentes com diferentes perfis e necessidades educacionais, incluindo estudantes com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), autismo e dislexia. Nesses casos, o trabalho é desenvolvido de forma individualizada, considerando as particularidades de cada criança.
Para a educadora, um dos maiores desafios é conscientizar as famílias sobre a importância da intervenção precoce. Ela alerta que dificuldades ignoradas por muito tempo podem gerar frustrações, insegurança e perda de interesse pelos estudos.
"Muitas vezes a criança começa a apresentar comportamentos diferentes porque está frustrada. Ela percebe que não consegue acompanhar os colegas e acaba desenvolvendo baixa autoestima"
, explica.
Juliana destaca que o reforço escolar não deve ser encarado apenas como uma ferramenta para melhorar notas, mas como uma estratégia de apoio temporário para recuperar conteúdos e fortalecer a confiança do estudante.
"O objetivo não é que a criança permaneça para sempre no reforço. A proposta é ajudá-la a superar a dificuldade e recuperar sua autonomia no aprendizado"
, afirma.
Para a educadora, a observação atenta da rotina escolar pode ajudar a identificar precocemente dificuldades de aprendizagem. Entre os sinais mais comuns estão problemas persistentes na leitura e na escrita, resistência às atividades escolares, desmotivação e alterações de comportamento. Quanto mais cedo essas questões forem percebidas, maiores são as possibilidades de apoio e acompanhamento adequados.