Ainda no ano passado, quando a pandemia do novo coronavírus estava no início, pesquisadores da UEM (Universidade Estadual de Maringá) desenvolveram um protótipo de capacete de oxigenação que atualmente tem demonstrado excelentes resultados, ao contribuir para recuperação de pacientes com quadros de insuficiência respiratória de média gravidade.
O equipamento foi desenvolvido pelos professores Gustavo Dias, Luiz Cótica e Ivair Santos, do Grupo de Desenvolvimento e Inovação em Dispositivos Multifuncionais, vinculado ao Departamento de Física, e por Edson Arpini Miguel, professor do Departamento de Medicina.
“Os capacetes têm demonstrado excelentes resultados no enfrentamento da covid-19. Pacientes com quadros de insuficiência respiratória de média gravidade, com saturação de oxigênio em torno de 70%, obtiveram uma sensível melhora clínica e da saturação periférica, com aumento de até 92% de saturação”, explica Edson Arpini Miguel, do Departamento de Medicina e um dos responsáveis pelo projeto.
No dia 12 de março, membros do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Estado da Saúde confirmaram a efetividade do uso dos capacetes de oxigenação desenvolvidos pela UEM, no HUM (Hospital Universitário Regional de Maringá).
Mais de 100 capacetes já foram produzidos e estão sendo distribuídos gratuitamente para várias cidades do Paraná. Somente no HUM, cerca de 120 pacientes já usaram o equipamento, destes 60% não precisaram ser intubados.
O financiamento do projeto é da AAHU (Associação dos Amigos do Hospital Universitário), por meio das doações que recebe. Dessa forma, os aparelhos são fabricados por um valor inferior aos disponíveis no mercado. Além de Maringá, vários municípios solicitaram o equipamento.
Resultado
Na época em que os capacetes foram lançados, em julho de 2020, para serem utilizados pelos pacientes do HUM, a superintendente do hospital, Elisabete Mitiko Kobayashi, disse que, diante do momento crítico da pandemia, com a elevação expressiva do número de casos e a quase ocupação total dos leitos naquele momento, o dispositivo ajudaria a implementar a recuperação do paciente e o tempo de tratamento, proporcionando uma concentração maior de oxigênio disponível para as vítimas de covid-19 internadas.
O capacete desenvolvido na UEM garante ao paciente mais conforto, além de contribuir na recuperação nos casos de isolamento de coorte (separação de doentes da Covid-19 numa mesma enfermaria ou área), reduz os gastos na saúde e, eventualmente, diminui o tempo de internação.
Os aparelhos desenvolvidos foram feitos sob um olhar interdisciplinar e multiprofissional, que aponta pra várias linhas de pesquisas, envolvendo também profissionais de enfermagem, fisioterapia e ciências biológicas.
Além das vantagens descritas, é importante ressaltar que os aparelhos foram fabricados por um valor muito inferior aos disponíveis no mercado.
*Com informações do Hojemais Maringá e Paulo Pupim e Fábio Carlucci (Ascom/UEM)
