Prefeito de Mirandópolis afirmou que tem orientado a população sobre a prevenção e disse que passa álcool gel nas mãos a cada 15 minutos (Foto: Reprodução)
O aumento no número de casos e dos óbitos de pacientes com covid-19 nos últimos dias em Mirandópolis (SP) fez com que o prefeito Everton Sodário (PSL) enfim decretasse medidas mais restritivas no combate à pandemia.
Seguidor da cartilha do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele está proibindo a realização de aglomerações, mas ainda permite o funcionamento do comércio com “meia porta” aberta, sem atendimento interno, o que contraria a atual Fase Emergencial do Plano São Paulo.
Entretanto, as lojas com mais de cinco trabalhadores só podem funcionar com 50% dos funcionários e o comércio está proibido de abrir aos finais de semana.
Após assinar o decreto, na quinta-feira (18), o prefeito fez uma live na página dele no Facebook, explicando os motivos das medidas adotas. Ele jogou a culpa do aumento dos casos na cidade ao Estado, alegando que foram enviados pacientes com a nova cepa do coronavírus para o Hospital Estadual instalado em Mirandópolis.
“Quero esclarecer que o decreto que nós estamos assinando não é decreto de lockdown, não é decreto de toque de recolher, não é decreto que vai contra as liberdades do nosso povo”, disse.
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Aumento
Segundo dados informados pelo município ao governo do Estado, atualizados às 14h de quinta-feira, Mirandópolis somava 1.014 casos positivos de coronavírus e 18 mortes. Entretanto, no site da Prefeitura consta a informação de que já são 24 óbitos de moradores na cidade.
Como comparativo, até 31 de dezembro do ano passado, Mirandópolis tinha 11 mortes comunicadas à Secretaria de Estado da Saúde, ou seja, em dois meses e meio de 2021 já morreram 13 pessoas, mais do que no ano passado inteiro.
Além disso, das 18 mortes informadas ao Estado até agora, 15 foram até o final de fevereiro e três em março. Com relação aos casos, são 332 entre janeiro e 18 de março, o que corresponde a 30% do total desde o início da pandemia.
Apesar disso, Sodário deixou claro na live que as pessoas da cidade não serão cerceadas dos direitos de sair de casa, de irem às praças, ao bosque municipal e de saírem às ruas ou visitarem seus familiares.
“O que nós estamos tomando são medidas para que se evite aglomerações. O nosso município acabou recebendo pacientes de uma série de outras cidades no hospital estadual e com certeza vieram com essa nova cepa. Nós tivemos um aumento no número de casos e estamos buscando fazer um decreto conciliando a vida, a liberdade e o trabalho do nosso povo”, disse.
Na mesma live, o prefeito informou que assinou um protocolo de intensão de compra de 15 mil doses de vacina contra o coronavírus com um laboratório indiano, o qual não informou o nome.
“Precisamos da colaboração de vocês. O momento é difícil, esse decreto vale até o final do mês e nós precisamos da colaboração da nossa população, especialmente evitando aglomerações, festas neste momento, pra que nós possamos ter o controle nessa questão do coronavírus e em breve estar voltando a vida à normalidade”, finalizou.
Grave
Na terça-feira (16), dois dias antes de assinar o decreto, o prefeito de Mirandópolis havia feito outra live para comentar sobre a pandemia na cidade. A iniciativa foi tomada após ser divulgado nas redes sociais um vídeo de uma médica da cidade, falando sobre a gravidade da situação no município com relação ao coronavírus.
Sodário explicou que realmente haviam sido notificados 100 casos suspeitos de coronavírus na segunda-feira (15). Ele disse acreditar que boa parte serão confirmados, mas a maioria com sintomas leves ou médios e os pacientes serão acompanhadas, terão medicamentos e farão isolamento em casa.
Novamente ele comentou sobre a transferência de doentes de outras cidades para o hospital de Mirandópolis, alegando que isso provocou o agravamento na quantidade de casos.
Grave
O prefeito reconheceu que esse é o momento mais grave da pandemia, alertando a população para se cuidar.
“Para que ficar saçaricando se é um momento delicado? Mas não podemos tirar o direito de caminhar. As pessoas precisam de exercícios físicos e isso é um direito, manter distanciamento quando há suspeita da doença”, disse.
Sodário afirmou que a administração municipal está tomando os cuidados de orientar a população e que ele próprio toma os devidos cuidados.
Ele inclusive pegou um frasco de álcool gel durante a live e disse que faz a higienização corporal a cada 15 minutos e passou o produto nas mãos, nos braços e até no rosto. Além disso, contou que as reuniões realizadas por ele no gabinete respeitam o distanciamento e o uso de máscara.
Comércio não é o responsável pela pandemia
Ainda durante a live, o prefeito de Mirandópolis, Everton Sodário, disse que está provado que o comércio não é o responsável pela transmissão do coronavírus e afirmou que na cidade os comerciantes seguem as recomendações.
“Entra uma ou duas pessoas na loja e quando entra. E nós vamos condenar o comércio, dizer que é o comércio que está propagando o vírus? Vamos fazer um lockdown e dizer que se a pessoa sair de casa vai ser presa? Isso é contra a lei, contra a legalidade, isso é inconstitucional. E é isso que nós temos defendido”, argumentou.
Entretanto, o prefeito falou que é preciso ter liberdade e não libertinagem, justificando que essa liberdade está subordinada a medidas sanitárias.
“Então você tem liberdade de sair na rua, desde que mantenha o distanciamento. Quando for entrar numa loja, bota a máscara na cara, desde que a loja tenha o álcool gel para você usar. É isso”, disse.
O prefeito agradeceu a população por durante quase um ano ter contribuído para que a pandemia ficasse controlada e voltou a reforçar que o momento atual requer mais atenção em todo o Brasil.
Ele disse que Prefeitura continuará oferecendo os medicamentos para o tratamento precoce, justificando que esses medicamentos não têm 100% de eficácia, como a vacina também não teria 100% de eficácia.
Lockdown
Sobre um possível lockdown, o prefeito de Mirandópolis justificou que de nada adiantaria fechar a cidade, o que causaria uma corrida aos mercados e forçaria as pessoas a irem para ranchos, praia e a fazer festas escondidas.
“Não tem efeito, não tem eficácia. A vida precisa continuar. O vírus está aí, o vírus é uma realidade, mas vida precisa seguir com as medidas sanitárias, medida de distanciamento, com a fiscalização”, explicou.
Ele disse que a Prefeitura está fazendo a fiscalização diante do possível, mas reclamou da falta profissionais para esse trabalho, pois teria apenas quatro ficais no município.
“A população precisa colaborar, não pode jogar nas costas do prefeito. Eu sou uma pessoa só e Mirandópolis tem 30 mil pessoas. Como eu vou responder todo mundo? Como vou responder por você? Não tem como! Você que tem que se ajudar, você tem que evitar aglomeração. Se for grupo de risco, não deve sair de casa, tem que parar de dar beijo no seu avô e na sua avó”, argumentou.
Ele fez uma analogia dessa responsabilidade das pessoas com o dever de manter os terrenos limpos.
“A culpa não é do prefeito, do vereador, e sim das pessoas têm que aprender a viver em sociedade, que precisa de sacrifício”,
declarou.
Sodário acrescentou que as pessoas com suspeita de coronavírus devem ficar em casa e só sair para ir ao hospital ou o posto de saúde e que a Prefeitura tem acompanhado os casos e dado assistência à população.
“Eu não tenho superpoderes, minha caneta não é superpoderosa. Não adianta pensar que o lockdown as pessoas vão seguir... ...Nosso papel a administração está fazendo: garantir médico, enfermeiro, medicamento e acompanhamento. Fiscalização atuante. Cabe à população nos ajudar”.
Negacionista
Durante a live, o prefeito respondeu a uma pessoa que publicou comentário na rede social o chamando de negacionista.
“Negacionista é quem fala que o vírus não existe, nega o efeito dos medicamentos do tratamento, quem diz tem que tem que ficar em casa até por falta de ar”.
Sodário disse que desde o ano passado vem trabalhando sem parar e que conseguiu dez respiradores com governo federal. Porém, alegou que teve que doar os equipamentos para outras cidades, porque o governo do Estado não quis aumentar leitos na cidade.
“Um ano de pandemia. Quem não trabalha não ganha dinheiro e é isso que defendemos... ...A pandemia nos fez ver o quanto pequenos, frágeis e dependentes de Deus”, concluiu.