Economia

2ª edição do Siran Summit: etanol de milho e futuro do agronegócio

Plínio Nastari e José Guilherme Nogueira abordaram que a produção de etanol a partir do milho está se mostrando uma alternativa viável para competitividade 

Siran*
13/12/24 às 11h45
(Foto: Siran)

Na última quarta-feira (11), Araçatuba sediou a 2ª edição do Siran Summit, um dos mais relevantes encontros do setor agropecuário na região. Promovido pelo Siran, o evento reuniu produtores rurais, especialistas, líderes do setor e grandes empresas para discutir desafios, soluções e tendências para o futuro do agronegócio no Brasil.

Com palestras de especialistas renomados e debates sobre tecnologia e sustentabilidade, o evento destacou temas como os impactos climáticos na produção, o avanço do etanol de milho e a importância de redução de custos na produção de cana-de-açúcar.

Impactos climáticos, perspectivas para safra e etanol de milho

Plínio Nastari, presidente da Datagro, apresentou uma análise dos desafios climáticos que marcaram o ano de 2024. Ele destacou o longo período de seca e os incêndios que atingiram 450 mil hectares, dos quais 200 mil em áreas de cana em desenvolvimento. Esses fatores resultaram em atrasos no crescimento da plantação e maior infestção de ervas daninhas, o que pode impactar também a safra de 2026/27.

Apesar das adversidades, Nastari apontou a resiliência da cana-de-açúcar e projetou para a safra 24/25 uma produção recorde de 608 milhões de toneladas, com aumento na produção de etanol no Centro-Sul e no Nordeste.

Um dos destaques do painel foi o crescimento da produção de etanol de milho no Brasil. Com a inauguração de mais uma unidade da Inpasa em Sidrolândia (MS), a capacidade produtiva nacional atingiu 9,71 bilhões de litros anuais, correspondendo a 27,4% da oferta total de etanol para a safra 24/25. Segundo Nastari, a previsão é que até 2031 a produção chegue a 17,95 bilhões de litros. O ritmo de expansão não para por aí. Há outras 11 usinas em construção e 18 projetos adicionais, usando 43 milhões de toneladas de milho. 

"Tem mercado para isso? Tem. Tem para vários usos, Não só para combustível, mas para SAF, produções de plástico, para uso em navegação marítima, para reforma para produção de hidrogênio. é uma produção que começa a ficar mais distribuída em todo o Brasil." , explicou Nastari.

A produção de etanol a partir do milho tem se mostrado uma alternativa viável e competitiva para as usinas, segundo José Guilherme Nogueira, presidente da Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil).

“Existe uma oportunidade para o milho e para as usinas que optam por investir nesse segmento. Contudo, essa previsão está diretamente relacionada ao preço da saca do milho e aos investimentos necessários para adaptar as estruturas das usinas” , explicou Nogueira.

Ele destacou que, nos últimos três anos, o custo de produção do etanol de milho tem sido, em média, mais barato que o do etanol de cana. “Com os dados que temos, produzir etanol de milho é mais barato por litro, ainda que a diferença seja pequena. O preço da saca do milho, porém, tem um impacto significativo nos custos totais” , afirmou.

Nogueira citou a região de Araçatuba como um exemplo de local com grande potencial para aproveitar essa oportunidade, desde que foram realizados os investimentos adequados. “A região tem condições desenvolvidas, mas tudo depende da visão estratégica e do comprometimento das usinas em apostar nesse modelo” , concluiu.

O especialista enfatizou ainda a necessidade de reduzir custos para manter a competitividade da produção de cana-de-açúcar. Ele alertou para os desafios climáticos recentes, como chuvas fora de época, seca severa e vendavais, mas destacou que a parceria entre usinas e produtores pode tornar a atividade mais sustentável.

"Precisamos produzir cana com custo baixo, precisamos ser líderes em custo, e temos condições para isso. As adversidades têm sido muitas? Sim. Chuva na época errada, seca intensa em momentos inoportunos, vendavais que deitam a cana e, naquele momento, impossibilitam a colheita. Enfim, existem várias nuances que impactam positivamente para tornar a cana atraente. É óbvio que a cana não é um produto trivial; você acaba se comprometendo com ela de 5 a 6 anos. Não é como a soja, que você colhe em apenas um ano. Mas com usinas sérias ao lado do produtor, podemos superar adversidades” , afirmou Nogueira.

Integração e negócios

O presidente do Siran, Thomaz Rocco, destacou o caráter integrador do evento. “Este é um evento feito pelos produtores e para os produtores. Nosso objetivo é unir o DNA de Araçatuba – boi, cana, grãos, pecuária de leite – e discutir tecnologia, ajudando o produtor a ser mais eficiente e rentável” , explicou.

Gustavo Nogueira, diretor de marketing do Siran, reforçou o foco em proporcionar um ambiente de negócios. “O Summit é uma oportunidade única para produtores acessarem condições diferenciadas de crédito e tecnologia, além de se conectarem com especialistas e empresas de destaque” , afirmou.

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