Governo
Da parte governamental tivemos a aprovação da Reforma da Previdência, que incentiva os investidores a aplicar. Se não fosse isso, eles ficariam com o dinheiro a quase custo zero, mas não arriscariam num investimento mais duvidoso. Pelos recursos liberados no ano passado (nos financiamentos habitacionais), acreditamos que este ano está mais ou menos garantido. Em Davos (no Fórum Econômico Mundial), ficou claro que o pessoal está animado com o Brasil, mas eles também estão contando com outras reformas, como a administrativa e tributária, para que o País seja realmente governável e estável, que é o que todos querem.
Retomada
Acreditamos que estamos no rumo certo. Quem gasta mais do que ganha vai ter prejuízo. Eles (governo federal) estão tentando trabalhar com o que ganham. Ainda não está dando porque existe um déficit gigantesco, mas esperamos que em um ou dois anos o País retorne ao equilíbrio financeiro. Quando isso acontecer, vamos trabalhar sem ociosidade. Hoje todos estão trabalhando com ociosidade, indústria, serviços, etc. E esse equilíbrio só será atingido quando nossa parte administrativa funcionar nesse País, o que não acontece há muitos anos. É contratação sem controle, estado gastando mais do que ganha. Resultado: estados quebrados, sem dinheiro para pagar a Previdência, iniciativas para satisfazer o próprio ego. O País precisa tomar um rumo diferente, ser um país sério, com políticos sérios. O caminho que estamos vendo é positivo, mas depende também de senadores e deputados.
"Em Araçatuba, quando começamos o MCMV, o déficit era em torno de 10 mil unidades. Depois passou para 6 mil, porém a cada ano entra um média de 500/600 pessoas que precisam de unidades novas"
Recessão
Chegamos a uma recessão na construção civil regional há uns três anos. A crise já existe há uns cinco anos e conseguimos nos manter ilesos durante os primeiros anos. Sofremos menos. Os projetos reduziram, mas todo mundo continuou lançando e trabalhando. A máquina continuou.
Estoques
Todas as construtoras têm estoque, umas mais, outras menos, porque houve nesse período muito problema de distrato. Aqui na região, nem tanto, mas em São Paulo em vez de construir em três anos, passaram para seis. Porque as construções são financiadas pelos investidores e não havia recursos para conclusão dos empreendimentos.
Preços
Hoje é o momento de comprar imóvel, porque ninguém conseguiu repor nem a inflação, que está baixa. Principalmente no MCMV não se pode deixar para depois, porque não sabemos até quando vai ter esse recurso. Cada ano está mais escasso e as exigências estão aumentando.
No ano passado, a inflação da construção civil ficou em 4,03% (dados do IBGE) no País e 3,87% na região e os preços não corrigiram. Se há três anos vendíamos uma casa a R$ 100 mil, hoje continuamos vendendo a mesma casa a R$ 100 mil. Os preços estão estagnados há pelo menos dois anos.
Financiamentos
Os bancos estão baixando os juros dos financiamentos e é hora de tomar esse recurso, porque na hora em que a economia entrar em equilíbrio, a tendência da inflação é subir um pouco e os juros sobem junto com a inflação. Hoje o MCMV tem juros de 4,5% ao ano. Eu reforço que agora é a hora porque no início os financiamentos eram de até 100% do valor do imóvel, depois passou para 90% e 80%. Hoje o limite é 80%, mas se a pessoa tem alguma dívida esse percentual reduz. Exemplo. O comprador ganha R$ 1000. Pelas regras, ele pode usar até R$ 300 com parcela de imóvel. No entanto, se ele tem uma dívida de R$ 50, ele já não tem mais os R$ 300, mas apenas R$ 250. Isso o obriga a dar uma entrada maior.
Inadimplência
A inadimplência é baixa nesse setor porque não é mais como antigamente. Hoje 90 dias sem pagamento vai para o jurídico e para leilão. Se a pessoa não entrar em acordo, ela perde mesmo.
Déficit
Temos um déficit grande ainda, não como no norte e nordeste. Em Araçatuba, quando começamos o MCMV, o déficit era em torno de 10 mil unidades. Depois passou para 6 mil, porém a cada ano entra um média de 500/600 pessoas que precisam de unidades novas. O déficit só vai zerar quando a população decrescer, o que não é o caso hoje.
Empregos
Para repor as vagas que foram fechadas, ainda vai muito tempo. A expectativa nossa é de crescimento neste ano. No País, a construção civil cresceu 2% em 2019, acima do PIB que foi de 1% (de acordo com o IBGE). A construção civil foi o que alavancou esse PIB, junto com o agronegócio. Para este ano o pessoal está otimista na continuidade da recuperação. Mais de 600 mil carteiras de trabalho foram assinadas no Brasil no ano passado; são pessoas que vão adquirir os imóveis.