Economia

“É o momento de comprar imóvel”, afirma presidente do Sinduscon Oesp

Em entrevista ao H+, Aurélio Luiz de Oliveira Júnior fala sobre a situação da construção civil na região de Araçatuba 

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
01/02/20 às 14h00
(Foto: Beth Santos/Secretaria da PR/Agência Brasil)

“Hoje é o momento de comprar imóvel, porque ninguém conseguiu repor nem a inflação, que está baixa”. A afirmação é do presidente do Sinduscon Oesp (Sindicato das Indústrias da Construção Civil da Região Oeste do Estado de São Paulo), Aurélio Luiz de Oliveira Júnior, sobre a situação da construção civil na região de Araçatuba (SP).

Em entrevista ao Hojemais Araçatuba , Oliveira Júnior falou sobre os estoques, preços, financiamento habitacional e as expectativas otimistas do setor para este ano, com a possibilidade de aprovação de mais duas importantes reformas (administrativa e tributária). Confirma principais trechos da entrevista.

Crescimento

A perspectiva positiva para a construção civil acontece quando os investidores estão otimistas, pois é uma área que depende de investimento. O período de recessão foi sustentado pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Hoje o MCMV está com problemas porque passaram usar o fundo de garantia para outras coisas, como por exemplo, para o comércio.

Por outro lado, parte dos investimentos está retornando para a construção civil, pois o rendimento de outras aplicações está baixo. O setor tem facilidade de pegar esses recursos e devolver com um rendimento um pouco melhor do que outras modalidades.

MCMV

No ano passado, tivemos apenas oito meses para trabalhar com recursos do MCMV, porque durante quatro meses não havia dotação para o subsídio. Então parou. Foram dois meses parados no começo do ano e depois agosto e setembro. Houve uma queda de produção, não de investimento, porque os projetos que já tinham sido lançados tiveram continuidade. Nas capitais, como São Paulo, os investimentos foram maiores porque estava tudo paralisado; eles sentiram mais a crise do que nós. No interior, durante os primeiros dois anos (do período de cinco anos de crise) nós conseguimos manter a comercialização e vendas num patamar aceitável. Neste ano, estão colocando o mesmo recurso de 2019, por isso acreditamos que vamos manter o mesmo nível do ano passado no MCMV.

(Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

"Principalmente no MCMV

não se pode deixar

para depois,

porque não sabemos

até quando vai ter

esse recurso",

afirma Oliveira Júnior.

Governo

Da parte governamental tivemos a aprovação da Reforma da Previdência, que incentiva os investidores a aplicar. Se não fosse isso, eles ficariam com o dinheiro a quase custo zero, mas não arriscariam num investimento mais duvidoso. Pelos recursos liberados no ano passado (nos financiamentos habitacionais), acreditamos que este ano está mais ou menos garantido. Em Davos (no Fórum Econômico Mundial), ficou claro que o pessoal está animado com o Brasil, mas eles também estão contando com outras reformas, como a administrativa e tributária, para que o País seja realmente governável e estável, que é o que todos querem.

Retomada

Acreditamos que estamos no rumo certo. Quem gasta mais do que ganha vai ter prejuízo. Eles (governo federal) estão tentando trabalhar com o que ganham. Ainda não está dando porque existe um déficit gigantesco, mas esperamos que em um ou dois anos o País retorne ao equilíbrio financeiro. Quando isso acontecer, vamos trabalhar sem ociosidade. Hoje todos estão trabalhando com ociosidade, indústria, serviços, etc. E esse equilíbrio só será atingido quando nossa parte administrativa funcionar nesse País, o que não acontece há muitos anos. É contratação sem controle, estado gastando mais do que ganha. Resultado: estados quebrados, sem dinheiro para pagar a Previdência, iniciativas para satisfazer o próprio ego. O País precisa tomar um rumo diferente, ser um país sério, com políticos sérios. O caminho que estamos vendo é positivo, mas depende também de senadores e deputados.

"Em Araçatuba, quando começamos o MCMV, o déficit era em torno de 10 mil unidades. Depois passou para 6 mil, porém a cada ano entra um média de 500/600 pessoas que precisam de unidades novas"

Recessão

Chegamos a uma recessão na construção civil regional há uns três anos. A crise já existe há uns cinco anos e conseguimos nos manter ilesos durante os primeiros anos. Sofremos menos. Os projetos reduziram, mas todo mundo continuou lançando e trabalhando. A máquina continuou.

Estoques

Todas as construtoras têm estoque, umas mais, outras menos, porque houve nesse período muito problema de distrato. Aqui na região, nem tanto, mas em São Paulo em vez de construir em três anos, passaram para seis. Porque as construções são financiadas pelos investidores e não havia recursos para conclusão dos empreendimentos.

Preços

Hoje é o momento de comprar imóvel, porque ninguém conseguiu repor nem a inflação, que está baixa. Principalmente no MCMV não se pode deixar para depois, porque não sabemos até quando vai ter esse recurso. Cada ano está mais escasso e as exigências estão aumentando.

No ano passado, a inflação da construção civil ficou em 4,03% (dados do IBGE) no País e 3,87% na região e os preços não corrigiram. Se há três anos vendíamos uma casa a R$ 100 mil, hoje continuamos vendendo a mesma casa a R$ 100 mil. Os preços estão estagnados há pelo menos dois anos.

Financiamentos

Os bancos estão baixando os juros dos financiamentos e é hora de tomar esse recurso, porque na hora em que a economia entrar em equilíbrio, a tendência da inflação é subir um pouco e os juros sobem junto com a inflação. Hoje o MCMV tem juros de 4,5% ao ano. Eu reforço que agora é a hora porque no início os financiamentos eram de até 100% do valor do imóvel, depois passou para 90% e 80%. Hoje o limite é 80%, mas se a pessoa tem alguma dívida esse percentual reduz. Exemplo. O comprador ganha R$ 1000. Pelas regras, ele pode usar até R$ 300 com parcela de imóvel. No entanto, se ele tem uma dívida de R$ 50, ele já não tem mais os R$ 300, mas apenas R$ 250. Isso o obriga a dar uma entrada maior.

Inadimplência

A inadimplência é baixa nesse setor porque não é mais como antigamente. Hoje 90 dias sem pagamento vai para o jurídico e para leilão. Se a pessoa não entrar em acordo, ela perde mesmo.

Déficit

Temos um déficit grande ainda, não como no norte e nordeste. Em Araçatuba, quando começamos o MCMV, o déficit era em torno de 10 mil unidades. Depois passou para 6 mil, porém a cada ano entra um média de 500/600 pessoas que precisam de unidades novas. O déficit só vai zerar quando a população decrescer, o que não é o caso hoje.

Empregos

Para repor as vagas que foram fechadas, ainda vai muito tempo. A expectativa nossa é de crescimento neste ano. No País, a construção civil cresceu 2% em 2019, acima do PIB que foi de 1% (de acordo com o IBGE). A construção civil foi o que alavancou esse PIB, junto com o agronegócio. Para este ano o pessoal está otimista na continuidade da recuperação. Mais de 600 mil carteiras de trabalho foram assinadas no Brasil no ano passado; são pessoas que vão adquirir os imóveis.

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