Embora o número de animais dentro do recinto de exposições Clibas de Almeida Prado tenha se reduzido nos últimos anos, a qualidade do que é exposto é inversamente proporcional. A Feira Genética da Expô 2019 conseguiu reunir o que há de mais avançado em melhoramento genético de sete raças bovinas, cinco raças de ovinos e duas raças de equinos. No total, mais de 600 animais participam da feira.
Neste ano, a Expô Araçatuba não sediou o julgamento do nelore, o que era tradição. No entanto, nos pavilhões os visitantes conferem os resultados de programas desenvolvidos dentro das fazendas da região, onde estão os melhores criatórios do País, segundo afirma a zootecnista e organizadora da Feira Genética, Daniele Almeida.
“Costumo dizer que Araçatuba continua sendo a terra do boi gordo, porque fizemos história na década de 1960 com uma família que fez a importação de alguns exemplares de nelore da Índia. Hoje essa linhagem está presente em 80% dos plantéis do País. Araçatuba fez e continua fazendo história nesse setor”, afirma Daniele, referindo-se ao touro Karvadi, importado por Torres Homem Rodrigues da Cunha.
As fazendas foram reduzidas, porém na região permaneceu um polo genético, ou seja, os criadores que selecionam as raças, conseguindo animais com volume grande de carcaça, habilidade maternal e precocidade. “Os animais têm ciclos curtos e carne macia e suculenta, com sabor e coloração exigidos pelo consumidor”, afirma a zootecnista.
Evolução
Para o presidente do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste), Fábio Brancato, a exposição acompanha a evolução do setor. “A Expô Araçatuba, que completa 60 anos em 2019, começou com uma prova de ganho de peso, onde ganhava o animal mais pesado. Chegamos a ter o segundo maior número de animais em exposição do País, perdendo apenas para Uberaba (MG) e no decorrer dos últimos anos, o número de animais de argola foi reduzindo e a genética entrou”, contextualiza.
A expectativa de negócios na feira não foi divulgada, mas Brancato garante que as vendas estão ocorrendo e os leilões prometem movimentar grandes cifras (cerca de R$ 5 milhões).
Estreantes
Entre os destaques da Feira de Genética estão as raças que participam pela primeira vez: tabapuã e araguaia.
“A raça araguaia foi criada por um araçatubense (Raul Almeida Moraes Neto), o que é motivo de orgulho para nós”, afirma Daniele.
Os animais da raça têm sua genética constituída por 47% de blond d'aquitaine (raça francesa), 28% de caracu (europeia) e 25% de nelore (originária da Índia e predominante no Brasil). Os cruzamentos e trabalhos de melhoramento e seleção permitiram que os bois reunissem as melhores características de cada uma dessas três raças. São animais de alta conversão alimentar, musculatura farta e bem distribuída, rusticidade, elevada habilidade materna e com alta capacidade de adaptação ao clima seco e de altas temperaturas.
Estão expostos nove exemplares. No próximo ano, a previsão é ter pelo menos 30 animais no recinto.
Já o tabapuã é uma raça brasileira fruto de cruzamentos entre o gado mocho nacional e animais de origem indiana (como nelore e guzerá). Foi na década de 1940, no município de Tabapuã (SP), que a raça assumiu as características que perduram até hoje. As vantagens são principalmente na reprodução, docilidade e precocidade.
Bovinos das raças nelore, brahman, cindi, gir e senepol; ovinos dorper, white dorper, ile de france, suffolk e santa inês e equinos quarto de milha e mangalarga também estão presentes na Feira Genética.