A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) do Estado confirmou na noite desta quarta-feira (22), a morte do sentenciado Alberto Saad Sobrinho, 54 anos, vítima de coronavírus.
Ele era filho de Roberto Saad, que foi sócio proprietário do hospital São Bernardo, em São Bernardo do Campo, e cumpria pena por ter assassinado a mulher, crime ocorrido em 1996.
Além disso, tinha condenação por tráfico de drogas. As sentenças somavam 24 anos de prisão, com previsão de término em 2024. Segundo a SAP, o óbito foi constatado na terça-feira (21) e o paciente estava internado no Hospital Estadual de Mirandópolis.
Polêmica
A divulgação da morte do sentenciando foi publicada pelo prefeito de Mirandópolis, Everton Sodário, que trava uma disputa com o governo do Estado. Ele foi eleito pelo PSL, partido que também elegeu o presidente Jair Bolsonaro.
Assim como o chefe do Executivo Federal, Sodário discorda das decisões tomadas pelo governador João Doria, com relação à quarentena que determina o isolamento social.
Recentemente, Sodário publicou um decreto autorizando a reabertura do comércio local, mas voltou atrás, alegando pressão, e disse que recorreria à Justiça contra o governo do Estado.
Ao autorizar a volta das atividades, ele argumentou que atendia pedido dos comerciantes e justificou que não havia nenhum caso de covid-19 na cidade.
Deboche
Na postagem feita na rede social, o prefeito aproveitou a oportunidade para mais uma vez atacar o governo do Estado.
“Tivemos hoje o 1° óbito confirmado por covid-19 em Mirandópolis... ...agora pasmem, o óbito é de um sentenciado do sistema prisional estadual, ou seja, o Governador João Dória é muito bom para impedir a população de trabalhar, mas péssimo em cuidar da sua própria casa”, escreveu.
Ele ainda reclamou que o hospital da cidade, que é do governo do Estado, não recebeu nenhum novo médico ou profissional da Saúde para ajudar a região no combate ao coronavírus.
“Parabenizo a administração do presídio, pois pude ver o esforço para conter essa crise internamente. Parabenizo também a todos os servidores públicos estaduais de Mirandópolis, que foram esquecidos pelo governador”, escreveu.
Cuidados
O Hojemais Araçatuba encaminhou cópia da postagem de Sodário à SAP, que informou que nos casos suspeitos de covid-19 entre os presos, o paciente é isolado e a Vigilância Epidemiológica local é contatada.
“Os servidores em contato com o paciente devem usar mecanismos de proteção padrão, como máscaras e luvas descartáveis”, informou.
Ainda de acordo com a pasta, confirmando o diagnóstico, além de continuar seguindo os procedimentos indicados, o preso será mantido em isolamento na enfermaria durante todo o período de tratamento.
Apesar de questionada, a SAP não informou se há outros casos positivos para coronavírus na penitenciária e nem quantos são.
Condenado
O Hojemais Araçatuba não teve acesso à sentença de condenação de Sobrinho, pois o processo não é digital. Reportagem publicada pelo Diário do Grande ABC de 20 de abril de 2001, cita que na ocasião, com 35 anos, ele foi condenado a 18 anos e 5 meses de prisão em regime fechado, após mais de 11 horas de Júri Popular.
Os jurados acataram a denúncia do Ministério Público e o condenaram por homicídio duplamente qualificado e constrangimento ilegal. A defesa queria a desqualificação do crime para lesão corporal seguida de morte.
Culpado
O homicídio aconteceu cinco anos antes, no apartamento do casal, em bairro com condomínios de classe média alta. A vítima, com 20 anos na época, teria sido abandonada no hospital, já sem vida.
A polícia informou que o corpo tinha ferimentos provocados por um pedaço de madeira e o réu foi detido quando arrumava o apartamento, que tinha manchas de sangue e um taco de beisebol quebrado na sala. Apesar das evidências, Saad Sobrinho negou a autoria do crime.
Na ocasião, o advogado de defesa disse que não havia como negar a autoria do crime, pois Saad Sobrinho era viciado e possivelmente estava sob efeito de drogas quando a mulher dele foi morta.
Indulto
No último dia 16, a defesa do sentenciado requereu à Vara de Execuções Criminais de Araçatuba, a concessão Indulto Humanitário ao preso.
A justificativa é de que Saad Sobrinho tinha graves problemas de saúde e, naquele dia, a defesa recebeu um telefonema da unidade prisional informando que ele estava com sintomas do covid-19.
Ao fazer o pedido, a defesa argumentou que o reeducando estava em fase delicada da doença, o que poderia ser comprovado por boletins médicos na unidade prisional.
A reportagem constatou no site do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que o Ministério Público ainda tinha sido notificado do pedido.