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Temer fica em silêncio em depoimento à Polícia Federal

Ex-presidente argumentou que não teve acesso às mais de 5 mil páginas dos autos da operação 

Luiz Vassallo e Roberta Jansen - Agência Estado
22/03/19 às 19h15

O ex-presidente Michel Temer (MDB) se reservou ao direito de ficar em silêncio em depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira (22), e pediu apenas que fosse consignado no termo de audiência que considera a investigação que o prendeu um "rematado absurdo".

O emedebista está preso desde o dia anterior, na sede da PF do Rio, no âmbito da Operação Descontaminação, braço da Lava Jato no Estado. O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Antonio Ivan Athié, determinou a inclusão do pedido liminar de liberdade do ex-presidente na pauta da quarta-feira (27).

Temer argumentou que não teve acesso às mais de 5 mil páginas dos autos da operação que lhe atribui o papel de líder de organização criminosa há mais de 40 anos, por isso o silêncio.

Mesmo preferindo ficar calado, pediu ao delegado para consignar que "não acha conveniente falar nesse momento até porque a decisão judicial e a manifestação do Ministério Público Federal o colocaram como chefe de quadrilha, inclusive num período em que não exercia função pública".

Temer assinalou que a acusação de que "amealhou R$ 1,8 bilhão é um rematado absurdo".

Propinas

A investigação que levou Temer à prisão preventiva mira supostas propinas de R$ 1 milhão da Engevix. Também foram detidos preventivamente Moreira Franco (MDB), e seu amigo João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima. Tiveram a prisão decretada ainda outros oito sob suspeita de intermediar as vantagens indevidas ao ex-presidente.

Esta não é a primeira vez que o emedebista silencia diante das autoridades em investigações. Ele se recusou a responder várias indagações da Polícia Federal em duas investigações alegando ora, "hostilidade" da autoridade policial, ora "descabimento" das questões abordadas. O ex-presidente foi inquirido a prestar esclarecimentos no inquérito dos Portos, que resultou em denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e em investigação da Odebrecht em que a PF atribuiu a ele indícios de corrupção.

Outros

Já o ex-ministro Moreira Franco (Minas e Energia) não escolheu o silêncio como estratégia de defesa. Ele respondeu às perguntas da PF e, segundo seu advogado, Antonio Sérgio de Moraes Pitombo, "evidenciou ponto a ponto como as conjecturas são absurdas".

Coronel Lima, que seria o braço direito do ex-presidente na suposta organização criminosa chefiada por ele, tampouco falou com os procuradores. Ele também alegou orientação dos advogados.

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