A casa que pegou fogo no início da manhã de sexta-feira (27) no bairro Vila Estádio, em Araçatuba (SP), teve a estrutura condenada pela Defesa Civil Municipal em função dos danos causados pelo fogo. Enquanto isso, familiares ainda não sabem onde os idosos que moravam no imóvel irão ficar.
A reportagem acompanhou parte do trabalho dos bombeiros no local, quando a Defesa Civil aguardava a conclusão do trabalho para fazer a vistoria de avaliação do imóvel. Segundo o que foi informado, as chamas teriam começado quando os moradores ligaram um aparelho eletrônico e ocorreu um curto-circuito. A faísca teria incendiado a cortina, que estava próxima, e as chamas se espalharam pelo sofá, saindo do controle.
O comerciante Marco Antônio, que é sobrinho dos idosos, conta que após eles receberem atendimento médico, os levou para a casa dele, onde ficariam pelo menos até este domingo (29).
Ainda de acordo com ele, equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social procurou a família e ofereceu pagar aos idosos, as diárias de um hotel também até segunda-feira (30), mas ele optou levá-los para casa dele no final de semana, por estar na residência. “O difícil será a partir de segunda-feira, que não terá alguém para ficar com eles” , comenta.
A Prefeitura também informou aos familiares que os idosos podem entrar com o pedido do aluguel social, em virtude do incêndio, porém, a família, no momento, prefere que eles permaneçam por perto. Por isso, a ideia é que as vítimas sejam autorizadas a ocupar uma edícula que existe no fundo do quintal da casa incendiada.
Interditada
Porém, de acordo com Marco Antônio, para isso, é necessário que haja a autorização da Prefeitura, já que o imóvel está interditado pela Defesa Civil. “O que nós vamos fazer é solicitar à Prefeitura que faça a avaliação o mais rápido possível e autorize que a edícula seja utilizada, nem se for necessário instalar uns tapumes para que eles possam passar pelo corredor” , explica.
O sobrinho dos idosos faz questão de agradecer pela atenção dispensada, desde o socorro aos tios dele, o que inclui as equipes do Corpo de Bombeiros, do resgate, da Guarda Municipal e da própria assistência social.
Ele conta que uma equipe com um caminhão-pipa da GS Inima Samar que passava pelo local no momento do incêndio tentou ajudar a apagar o fogo, o que não foi possível devido à mangueira não ser suficiente. “É um monte de gente trabalhando, que são pessoas invisíveis, pois só quem passa por essa situação sabe que esse pessoal existe. Eles foram perfeitos!” , agradece.
Doações
Ele também agradece a todos da comunidade que se sensibilizaram, inclusive abrigando um cão que vivia na casa, o qual está temporariamente com uma família vizinha. “Foi um incêndio muito rápido, que queimou tudo” , explica.
Os idosos perderam tudo, inclusive documentos, de acordo com ele. Por enquanto eles receberam doação de roupas de vizinhos e familiares. “Nós recebemos as doações de muito bom grado, porque é difícil a situação de ficar sem nada, um desespero, até documentos, celular, foi tudo. Ela está incomunicável, pois não tem o contato do celular dos amigos, de ninguém, está em desespero” , conta.
Móveis
Com relação aos móveis e outros utensílios, por enquanto a família não tem como receber doações, por não haver onde colocá-los, já que dependem dessa autorização da Prefeitura para que a edícula seja liberada para uso.
Do incêndio, sobrou apenas uma máquina de lavar, que estava em uma lavanderia no fundo da casa. Assim que a edícula for liberada, os idosos devem precisar de pelo menos geladeira, cama e um guarda-roupa. “Eles irão precisar dessas coisas para montar a edícula e poder recomeçar a vida, mas não tem como a receber essas coisas agora, se não tem onde colocar” , explica.
Socorro
No dia do incêndio, a reportagem falou com uma equipe da Guarda Municipal, que informou que com a ajuda de populares, prestou o primeiro atendimento aos idosos que residem na casa incendiada. Depois, durante todo o dia, foram recebidas mensagens informando que quem teria resgatado os idosos seriam pessoas que trabalham em um escritório de advocacia na rua Francisco Braga.
A reportagem falou com um estudante universitário que trabalha nesse escritório, que confirmou que foi ele quem carregou o idoso no colo da varanda da residência até à parte externa, quando o fogo já havia começado.
Ele contou que chegou para o trabalho por volta das 7h30 e populares foram ao escritório informar sobre o incêndio. Ainda de acordo com ele, chegando na residência, o fogo já estava fora de controle e o idoso estava na varanda, se apoiando em um andador. “Eu o peguei no colo e o levei para fora. Depois levamos ele para o escritório, onde oferecemos água e algo para comer” , conta.
O jovem informa que os guardas municipais apareceram ao serem informados do incêndio, mas no momento em que os idosos já haviam sido resgatados, e tomaram as providências de isolar a área, até a chegada das equipes de resgate e de combate ao incêndio.
