A Polícia Civil de Araçatuba (SP) decretou a prisão em flagrante de um homem de 37 anos, acusado de ter matado a companheira dele, Eliane Paula Santos da Silva, 33, que foi encontrada já sem vida, na manhã desse sábado (3), na residência do casal, no bairro Araçatuba G.
Segundo a polícia, o investigado confessou informalmente que havia esganado a vítima e, na sequência, desferido um golpe de faca nela, causando ferimento na região torácica. Na delegacia, ele negou tê-la matado.
Conforme já divulgado, equipe de Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamada pela manhã, informada que uma mulher estaria passando mal. Ao atender a vítima, foi constatado que ela já estava sem vida e a ficha de atendimento foi preenchida como morte suspeita.
Briga
Segundo o que foi relatado, o companheiro da vítima estava presente e alegou aos policiais militares que na noite anterior, Eliane teria ficado na frente da residência consumindo bebida alcoólica e entorpecentes com outras pessoas.
Já durante a madrugada, quando ela entrou em casa, uma edícula nos fundos de outra residência, teve início uma discussão entre o casal, com a intervenção da mãe e do irmão dele. A discussão teria evoluído para troca de empurrões.
Ainda na versão dele, quando a discussão terminou, Eliane pediu que o irmão abrisse o portão, mas não saiu do imóvel. Houve nova discussão, com barulho de garrafa quebrada e a vítima teria retornado visivelmente alterada, sentado no sofá e depois no colchão.
Desfalecida
Segundo o investigado, cerca de 20 minutos ele foi ao banheiro e, ao retornar, notou que a companheira estava inconsciente e imaginou que seria em consequência do efeito do uso de álcool e drogas.
Ele a teria chamado por diversas vezes, mas como ela não respondeu, ele dormiu e só teria constatado que ela estava morta, ao acordar, já por volta das 8h deste sábado.
Lesões
Segundo a polícia, o corpo da vítima foi encontrado sobre um colchão e coberto com uma manta, estando apenas a região do pescoço e o braço direito descobertos. Inicialmente foram encontradas marcas na região do pescoço, compatíveis com sinais de esganadura, e escoriações por unhas.
Também foi notado que o companheiro da vítima apresentava marcas de unhas na região do pescoço, no ombro esquerdo e nos antebraços. Diante dos indícios de um possível feminicídio, os policiais entraram em contato com a Polícia Civil e houve a determinação para o isolamento do local.
O delegado Christian Douglas Muner, que estava de plantão na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), acompanhou a perícia. Segundo o que foi relatado, ao remover as roupas da vítima, houve sangramento por um ferimento existente no lado esquerdo do peito, próximo à axila.
Esse ferimento, segundo a polícia, seria compatível com golpe de faca. Questionado novamente, o companheiro dela então teria confessado informalmente aos policiais militares que havia esganado a vítima e a esfaqueado.
Preso
Ele foi preso em flagrante, encaminhado à DDM e concordou em prestar esclarecimentos. O delegado não deu detalhes sobre o depoimento dele, porém, informou que o acusado negou ter matado a vítima.
Ele passará a noite da cela da CPJ (Central de Polícia Judiciária) e pela manhã deve ser encaminhado para audiência de custódia, que poderá converter a prisão em preventiva ou ser concedida a liberdade provisória.
Um inquérito será instaurado e a polícia aguardará a emissão dos laudos do exame necroscópico e também da perícia realizada no local. A suposta faca utilizada no crime não foi localizada. Os dois filhos do casal, ainda crianças, que estavam na residência no momento do crime, devem ser ouvidos posteriormente.
