Polícia

Leiloeiro teve prejuízo de R$ 93,6 mil com venda de gado para investigados na Operação Sinuelo

Vítima reconheceu 9 de um total de 42 cabeças de gado pagas com cheque de pessoa já falecida; a polícia prendeu mais um investigado

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
09/11/22 às 17h14
Nove animais apreendidos foram reconhecidos por leiloeiro vítima de estelionato (Foto: Divulgação)

Um leiloeiro reconheceu entre os animais apreendidos durante a Operação Sinuelo, deflagrada na terça-feira (8) pela Polícia Civil de Araçatuba (SP), nove animais vendidos por ele e que foram pagos com cheque de uma pessoa já falecida.

Segundo o que foi informado à polícia, ao todo, a vítima vendeu 42 animais para os investigados e teve um prejuízo de R$ 93,6 mil. Diante do reconhecimento, na tarde de ontem a polícia prendeu um homem de 37 anos por receptação.

O acusado já era investigado por integrar a suposta organização criminosa especializada em crimes contra proprietários rurais em diversas cidades da região. Com isso, subiu para cinco o número de pessoas presas na ação policial.

Durante a operação, na manhã de ontem, uma das propriedades que foi alvo de cumprimento de busca e apreensão fica no bairro Chácaras Aguiar. Ao tomar conhecimento da apreensão do gado, o leiloeiro esteve na delegacia e foi levado à propriedade, onde reconheceu parte do gado que estava no local.

Golpe

O leiloeiro contou que a venda do gado foi feita cerca de 45 dias atrás, em Auriflama, para quatro homens. Na ocasião, eles fizeram o pagamento com quatro cheques de um correntista de Araçatuba, que ao ser depositado, constou como inválido pelo banco. O primeiro cheque não foi aceito por divergência de assinatura. Além disso, em consulta ao CPF, foi constatado que o titular da conta havia falecido em junho. 

Ainda de acordo com a vítima, os investigados contrataram fretes independentes e a informação era de que os animais seriam levados para uma cidade na região de São José do Rio Preto. Porém, ao procurar essa propriedade, o responsável informou que não havia comprado nenhum gado.

Diante disso, o leiloeiro descobriu que na verdade os animais haviam sido trazidos para essa propriedade em Araçatuba. Os animais identificados como sendo dele são marcados com tinta, o que facilitou o reconhecimento.

Negou

Segundo a polícia, ao ser questionado sobre os animais, o investigado alegou que havia comprado os animais em um leilão em Promissão e não em Auriflama. Disse ainda que havia adquirido apenas 12 animais, revendido três deles e que teria as notas fiscais de compra, porém, não apresentou os documentos.

Em consulta à Secretaria de Defesa Agropecuária, a polícia encontrou cópias de três guias de trânsito referentes à aquisição de gado em leilão em Promissão, mas nenhuma delas se refere à aquisição dos 12 animais, como alegado pelo investigado.

O acusado disse ainda que transportou o gado para a propriedade arrendada por ele em um caminhão Mercedes-Benz que seria dele, mas a polícia identificou o responsável pelo transporte do gado de Auriflama para a propriedade.

O delegado José Abonízio, responsável pela investigação, informou que a Polícia Civil prosseguirá com a investigação e tentará identificar o destino do restante dos animais vendidos pelo leiloeiro. Ainda de acordo com ele, já foi apurado que os investigados comercializavam e até abatiam parte dos animais adquiridos de forma ilícita.

O acusado deverá responder por receptação no inquérito de Araçatuba, e por estelionato, no inquérito de Auriflama, onde foi feita a compra do gado.

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