Polícia

Condenado por assassinato de pecuarista em 2005 está entre os presos em operação em Araçatuba

Cumpria no regime aberto o restante da pena de 25 anos de prisão; perdeu o benefício por estar no aniversário de um cunhado no horário que deveria estar em casa

Agência Trio Notícias
08/07/26 às 19h10

Um dos 11 sentenciados que foram capturados durante operação realizada pela Polícia Militar na manhã de terça-feira (7), em conjunto com o Ministério Público, é Sérgio Alves dos Santos Júnior, 42 anos.

Ele foi cumpria no regime aberto, pena de 25 anos de prisão por participação no assassinato do pecuarista Luís Sorato Neto, 47, crime ocorrido em dezembro de 2005. Porém, perdeu o benefício por ter descumprido uma das medidas cautelares determinadas pela Justiça.

Conforme divulgado, a operação é resultado do projeto Vida (Vigilância, Inteligência, Defesa e Ação), uma iniciativa da Polícia Militar, em parceria com o Ministério Público e o Poder Judiciário, e que tem como objetivo aumentar a eficiência da fiscalização de pessoas com pendências com a Justiça.

Na ocasião, os policiais saíram às ruas para dar cumprimento a 13 mandados de prisão contra sentenciados que perderam direito à progressão de pena e tiveram as prisões preventivas decretadas por descumprimento das condições fixadas para a permanência em liberdade. Dois dos alvos não foram localizados e passaram a ser considerados foragidos.

Aniversário

Conforme divulgado, a fiscalização do cumprimento das medidas cautelares é constante e, no caso de Santos Júnior, policiais militares estiveram na casa dele, às 22h38 de 13 de março, uma sexta-feira. Durante a visita o sentenciado não estava em casa e um familiar informou que ele havia saído com a mãe dele, para ir ao aniversário de um cunhado. Ao saber da fiscalização Santos Júnior retornou para casa e prestou informações.

Um procedimento foi instaurado pelo Judiciário, que considerou que a justificativa apresentada não descaracterizou a falta cometida. “Ainda que o período de ausência tenha sido relativamente curto, o reeducando deliberadamente deixou o endereço durante o horário de recolhimento domiciliar, em descumprimento de condição expressamente imposta para a manutenção do regime aberto” , consta na decisão.

Foi justificado ainda que já teria ocorrido descumprimento anterior, quando houve a alteração de endereço do sentenciado, sem comunicação prévia ao Judiciário, que é outra medida cautelar do regime aberto. “Assim, o histórico processual recente revela comportamento incompatível com o grau de autodisciplina e senso de responsabilidade exigidos do sentenciado, recomendando a sustação cautelar do benefício para imediata apuração dos fatos ”, cita na decisão.

Caso

Com relação ao homicídio do pecuarista Luís Sorato Neto, ele foi baleado quando saía da propriedade rural que possuía, no bairro da Água Limpa, acompanhado da esposa, Cintia Magda dos Santos.

A investigação da Polícia Civil apurou que ela teria contratado a morte do marido por R$ 30 mil, com a ajuda do ex-policial militar Almirante Petroli Júnior, com quem manteria um relacionamento Amoroso. 

A denúncia do Ministério Público cita que Almirante entrou em contato com Arlindo Jovino, que teria atirado na vítima em uma primeira tentativa de homicídio, quando estava acompanhado de Sérgio Alves dos Santos Júnior. 

Nova emboscada

Como o pecuarista sobreviveu ao primeiro atentado, a mando de Cíntia, Jovino teria combinado o um novo ataque junto com Sérgio e Anderson Douglas Lopes, que consumaram o assassinato. 

Os cinco réus foram denunciados por homicídio qualificado pelo motivo torpe, mediante promessa de pagamento e com recurso com dificultou a defesa da vítima e o julgamento pelo Tribunal do Júri aconteceu em 2012. Segundo a sentença, Sérgio e Jovino confessaram participação nos crimes e delataram os demais envolvidos.

Penas

Jovino recebeu a maior pena em primeira instância, sendo condenado a 26 anos e 8 meses de prisão. Cíntia, Almirante e Sérgio foram condenados a 23 anos e 4 meses de prisão, enquanto Anderson pegou 17 anos de prisão. 

O Ministério Público recorreu e as penas dos réus foram aumentadas, com exceção à de Jovino. Cintia foi condenada a 30 anos de prisão; as penas de Almirante e Sérgio foram elevadas para 25 anos; e Anderson teve a pena aumentada para 20 anos de prisão.

Jovino morreu ao ser baleado por equipe do Baep durante uma tentativa de abordagem na rodovia Senador Teotônio Vilela, conhecida como estrada do Guatambu, em Birigui, em maio de 2025.

O ex-policial militar também foi capturado em novembro de 2025, devido à suspensão cautelar do regime aberto por descumprimento de medidas cautelares. Na época ele também não havia sido encontrado durante fiscalização prévia da Polícia Militar.

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