Justiça

PM captura 11 condenados que perderam o direito ao regime aberto durante operação em Araçatuba

Ação faz parte do projeto Vida, uma parceria da corporação com o Ministério Público e com o Judiciário, para aumentar a eficiência da fiscalização de pessoas com pendências com a Justiça reduzir os índices de criminalidade

Agência Trio Notícias
07/07/26 às 18h52
Ação conjunta da PM com o Ministério Público e o Poder Judiciário (Foto: Lázaro Jr.)

A Polícia Militar capturou nesta terça-feira (7), onze condenados que cumpriam pena no regime aberto, mas perderam direito à progressão de pena e tiveram as prisões preventivas decretadas por descumprimento das condições fixadas para a permanência em liberdade.

A ação é resultado do projeto Vida (Vigilância, Inteligência, Defesa e Ação), que é uma iniciativa da Polícia Militar, em parceria com o Ministério Público e o Poder Judiciário. Ela mobilizou 32 policiais militares e 14 viaturas e ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão, mas dois dos alvos não foram localizados e são considerados foragidos.

O projeto Vida foi apresentado em Araçatuba pela Polícia Militar em fevereiro de 2023 e tem como objetivo aumentar a eficiência da fiscalização de pessoas com pendências com a Justiça e, consequentemente, reduzir os índices de criminalidade.

Na ocasião, o então comandante do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior), coronel Rodrigo Quintino, explicou que conheceu a iniciativa quando atuava em Ribeirão Preto, após o programa ser implantado em Sertãozinho.

Policiais recebem informações do sentenciados por meio de aplicativo no celular (Foto: Lázaro Jr.)

Aplicativo

Basicamente o sistema funciona por meio de um aplicativo instalado nos celulares disponibilizados para uso dos policiais militares. Ele é abastecido com informações do Poder Judiciário sobre sentenciados com restrições, inclusive do crime cometido, com foto e endereço da pessoa a ser monitorada.

O aplicativo mostra a localização georreferencial dos endereços dos alvos e durante patrulhamento, quando a viatura passa próximo a esses locais, o aparelho emite avisos sonoros e visuais da possível localização, o que permite verificar se a medida restritiva está sendo cumprida.

Em caso de descumprimento, a informação é cadastrada em tempo real pelo policial, que faz o registro do boletim de ocorrência. A informação também é disponibilizada diretamente ao Poder Judiciário, que avalia caso a caso e pode suspender o eventual benefício da liberdade provisória.

Autoridades concederam entrevista para falar sobre a operação (Foto: Lázaro Jr.)

Coletiva

Em entrevista coletiva concedida no final da manhã desta terça-feira, a promotora de Justiça Elaine Cristine Cabrini Hernandes José informou que o programa passou a funcionar em conjunto com o Ministério Público efetivamente em setembro do ano passado. Na época, havia 1.200 pessoas aptas a serem fiscalizadas, mas esse número é variável.

Ela comentou ainda que esse trabalho conjunto de fiscalização é importante inclusive para conscientização por parte dos sentenciados que cumprem pena no regime aberto. “Se ele for abordado em qualquer lugar, com descumprimento dessas condições, pode ensejar já na sustação (do benefício). Se não estiver em casa à noite, também” , explica.

Voto de confiança

A promotora acrescenta que o sentenciado beneficiado tem a obrigação de colaborar com a Justiça e quando for procurado, tem que se apresentar à polícia. “O regime aberto é um voto de confiança que foi dado para ele cumprir o restante da pena dele. Então depende dele ter o entendimento e a responsabilidade para cumprir essas condições. Se ele não tiver essa responsabilidade ele pode perder” , reforça.

A representante do Ministério Público alerta ainda que a fiscalização é constante e que a expedição de mandados de prisão é diária, pois todos os dias há decisões relacionadas ao descumprimento dessas medidas cautelares. Ela comentou ainda que grande parte dos sentenciados beneficiados acaba conseguindo emprego, mas há os que voltam a ser presos pelo descumprimento das medidas, mas também por envolvimento com outros crimes.

Ampliação

Também participaram da coletiva pelo Ministério Público o promotor de Justiça Adelmo Pinho, e pela Polícia Militar, o comandante interino do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior), Antônio Lino Neto, e pelo comandante do 2° BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior), Moacyr Caldeira.

Durante a entrevista, os representantes da Polícia Militar informaram que os mandados de busca nesta terça-feira foram cumpridos apenas em Araçatuba. Entretanto, eles informaram que o projeto Vida está em expansão.

Ainda segundo o que foi informado, o processo de implantação do serviço em Ilha Solteira já está bastante adiantado e a ideia é também atender em breve municípios de maior porte, como Birigui, Penápolis e Andradina, para que também sejam cumpridos madandos nessas cidades em caso de descumprimentos de medidas cautelares.

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