A Polícia Civil de Araçatuba (SP) decidiu pela prisão em flagrante do policial penal de 39 anos, que atirou e matou Robert Ronald Ramos Vieira, 29, na frente de um estabelecimento comercial, no bairro Jardim Brasil, na noite de domingo (30). A vítima foi socorrida com vida, mas morreu horas depois.
O delegado Regis Celeghini, que esteve no local, chegou a conceder entrevista informando que aparentemente o caso seria enquadrado como legítima defesa, já que a vítima estava de posse de uma réplica de pistola e teria reagido a uma tentativa de abordagem.
Entretanto, após analisar imagens de câmeras de monitoramento, ele considerou que não ficou demonstrado que Vieira oferecia perigo atual ou iminente ao próprio autor dos disparos ou a terceiros.
Caso
Conforme já divulgado, o caso aconteceu na frente de um estabelecimento comercial na rua Pedro Álvares Cabral, esquina com a avenida Waldemar Alves. Policiais militares foram ao local pouco antes das 20h, após informações sobre disparos de arma de fogo.
Eles encontraram a vítima ferida, em atendimento por equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Após Vieira ser levado para a Santa Casa, os policiais apuraram que ele havia sido alvo de três disparos de arma de fogo feitos pelo policial penal que estava de folga, com roupas civis no momento.
Briga
A versão informada no local ainda na noite de domingo, foi de que o policial penal teria suspeitado de um volume na cintura da vítima e ao notar que era uma arma de fogo, tentou abordá-la. Vieira teria reagido, por isso, teria sido baleado.
Entretanto, o que consta no boletim de ocorrência é que antes dos disparos houve uma discussão envolvendo um casal de amigos na rua. A vítima estava acompanhada da esposa, que informou que eles não participavam diretamente do desentendimento.
Entretanto, de acordo com ela, o marido dela foi ao local para tentar intervir e encerrar a discussão. Para isso, ele teria ido até o carro dele e pego a réplica de pistola. Ainda segundo a esposa de Vieira, o policial penal teria percebido o volume na cintura do marido dela, por isso decidiu abordá-lo.
Disparos
Consta ainda no boletim de ocorrência que durante a abordagem, o policial penal viu o objeto e, ao perceber que a vítima teria levado uma das mãos em direção à cintura, fez os três disparos. Após Vieira ser socorrido, a polícia constatou que ele estava de posse de uma réplica de pistola calibre .45.
A área foi preservada para perícia e a réplica de pistola foi recolhida após o término dos trabalhos. O delegado também determinou a apreensão da pistola calibre 9 milímetros pertencente ao policial penal, para encaminhá-la para perícia. Ela estava com 15 munições intactas.
Providências
Consta no boletim de ocorrência que o próprio policial penal telefonou para o 190 após fazer os disparos e permaneceu no local até o término da perícia. Com a informação de que a vítima não resistiu aos ferimentos, ele foi levado para o plantão policial, sem a necessidade de algemas.
Como o delegado descartou inicialmente a tese de legítima defesa e o crime de homicídio não prevê fiança na fase policial, o investigado permaneceu à disposição da Justiça para passar por audiência de custódia na manhã desta segunda-feira (31).
A escolta dele foi feita por policiais penais e a reportagem já encaminhou pedido de informações à SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), perguntando sobre as providências que serão tomadas com relação ao caso.
O corpo de Vieira passaria por exame necroscópico antes de ser liberado para velório e enterro.
