O Conselho de Administração da Santa Casa de Araçatuba (SP) informa que as afirmativas feitas pelo administrador do hospital Mauro Inácio da Silva ao Hojemais Araçatuba não correspondem à realidade dos fatos, conforme apresentaremos a seguir:
1) Mauro Inácio negou ser alvo de acusações sobre “postura abusiva”, taxando referida acusação de “argumento criado pelo Conselho de Administração para afastá-lo”.
Resposta - O Conselho de Administração ouviu mais de 10 colaboradores que relataram que as formas de tratamento comum ao administrador para com os mesmos são: agressivas, humilhantes e pontuadas por xingamentos, gritos e desprovidas de educação. Foram relatados casos de colaboradores que foram denegridos na presença de colegas de trabalho.
Rememoramos que referida postura não é incomum à trajetória do administrador. Seu afastamento da direção do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Promissão ocorreu pelo mesmo motivo.
O Conselho de Administração também recebeu relatos que comprovam que a dificuldade de relacionamento do administrador não está restrita ao ambiente interno da Santa Casa de Araçatuba. Sua forma hostil de tratamento também foi praticada contra representantes de órgãos Federal, Estadual e Municipal, e por causa disso, estas instituições fecharam as portas para o hospital.
Por tudo isso e diante da omissão do provedor que preferiu renunciar ao cargo a resolver esta crise interna, o Conselho de Administração tomou a iniciativa de demiti-lo, através do provedor interino Juliano César Tonon.
2) Mauro Inácio relatou que em 2018, o hospital teve um déficit de R$17.000.000,00, e que em 2019 o déficit foi de R$9.892.499,47.
Resposta - Na verdade, em 2018 a Santa Casa de Araçatuba obteve R$ 124.086.592,08 em receitas e em 2019 o valor foi de R$ 130.547.486,52, segundo atestam registros contábeis da instituição. Ou seja, o hospital registrou R$ 6.460.894,00 de aumento da receita. Por outro lado, em 2018, as despesas do hospital foram R$ 140.688.692,76, e em 2019 de R$ 140.439.986,09.
Ocorre que de acordo com dados do Tabnet da Secretaria Estadual de Saúde e CIHA (Comunicação Hospitalar e Ambulatorial), um sistema que registra atendimentos prestados a usuários de convênios privados e particulares), em 2018, a Santa Casa de Araçatuba registrou 467.614 atendimentos e em 2019, 427.774 atendimentos.
A pergunta que o Conselho de Administração tem feito é: Se registrou as mesmas despesas e obteve aumento nas receitas, por que o hospital atendeu menos em 2019? Note-se que estamos falando de 39.840 atendimentos a menos.
3) Mauro Inácio da Silva relatou que em 2020, o hospital fechou o ano fiscal com um superávit de R$ 3.797.789,89
Resposta
- O Conselho de Administrador observou que em relação à 2019, o hospital registrou aumento de receita no valor de R$ 31.393.441,20 assim distribuído:
2019- Receita anual de R$ 130.547.486,52
2020- Receita anual de R$ 161.940.927,26
Em relação às despesas, em 2019 o valor foi de R$ 140.439.985,66 e em 2020, de R$ 158.143.137,37, totalizado um aumento de R$17.703.151,30. Nos mesmos períodos, o hospital registrou dentre internações e SADTs 427.774 atendimentos (2019) e 267.112 (2020).
Mais uma vez a equação não bateu. Recebemos mais e atendemos menos. Com o aumento de receitas o hospital deveria ter atendido mais pacientes. Por que isso não ocorreu? Isso é boa administração? O que causou o aumento das despesas e a redução dos atendimentos?
4) O administrador relata que uma das medidas de sua gestão foi negociar dívidas bancárias através dos empréstimos existentes.
Resposta - Todas as administrações passam por esse processo. É prática comum ao mercado financeiro o lançamento, por instituições bancárias, de linhas de financiamentos com juros mais atrativos e carência nos pagamentos de algumas parcelas. A Santa Casa de Araçatuba aderiu a essa oferta. Onde está o mérito administrativo nessa opção que representa inclusive a sobrevivência do nome da instituição junto à rede bancária?
5) Relatou, o administrador, que o hospital recebeu verba do governo para os atendimentos Covid e outros procedimentos e por isso conseguiu fechar com superávit. Considerou que “foi um trabalho árduo que incomodou pessoas”, que segundo ele “criaram todos os problemas abandonando o barco e deixando dívidas bancárias”.
Resposta - De acordo com a FEHOSP, as dívidas dos 2 mil hospitais filantrópicos que prestam serviços ao SUS, ultrapassam R$ 20 bilhões. Não podemos esquecer que o principal objetivo desses hospitais é salvar vidas e oferecer assistência médica com qualidade e segurança aos pacientes, independente do resultado financeiro.
O resultado financeiro tem que ser buscado com outras ações junto aos órgãos competentes dos governos Federal, Estadual e Municipal. Sabemos que a conta não fecha por causa da defasagem da tabela SUS, mas os atendimentos não podem ser prejudicados por isso.
Em 2020, a Santa Casa de Araçatuba registrou acréscimo na receita de R$ 31.393.441,20 em relação a 2019, e os principais recursos foram: subvenções à atendimentos Covid (R$ 9.199.598) e donativos em espécie (R$ 9.532.584,53). No entanto, a instituição atendeu menos.
Por que tivemos redução nos atendimentos? Em 2019, com menos recursos, o hospital registrou 427.774 atendimentos dentre internações e SADTs; e em 2020, com mais recursos, realizou somente 267.112 atendimentos. isso é administrar bem?
6) O administrador destacou que diante das dívidas, que passaram a crescer a partir de 2015 por causa de empréstimos efetuados, foi necessário realizar contingenciamento de guerra para conter os desperdícios e tentar equilibrar as contas.
Resposta - Não teve contingenciamento de guerra. Ao contrário houve aumento nas despesas e diminuição de atendimentos conforme abaixo:
