Conciliar a rotina profissional com a maternidade é um dos maiores desafios enfrentados por milhares de mulheres brasileiras. Na engenharia, profissão marcada por responsabilidades técnicas, prazos rigorosos e constante dedicação, essa missão exige ainda mais equilíbrio, organização e resiliência.
Neste Dia das Mães, a AEAN (Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste) homenageia as profissionais que conseguem unir competência técnica, força emocional e amor materno em uma mesma trajetória. Um exemplo é a engenheira civil Paula Garcia, que atualmente atua na supervisão da conservação de rotina a serviço do DER 11 (Departamento de Estradas de Rodagem).
Paula conta que a maternidade trouxe desafios intensos, mas também motivação para seguir crescendo profissionalmente.
“Conciliar a engenharia com a maternidade é um desafio constante, pois ambas exigem alto nível de responsabilidade, organização e presença. Muitas vezes precisamos abrir mão de momentos com os filhos para conseguir proporcionar um futuro melhor para eles”
, relata.
A história da engenheira começou ainda durante os primeiros meses de vida da filha. Paula iniciou a faculdade de engenharia quando a criança tinha apenas quatro meses de idade. Na época, ela já era formada em arquitetura e trabalhava na área, o que tornou a rotina ainda mais intensa.
“ Foram cinco anos bem difíceis tentando conciliar trabalho, filha e estudos. Tudo o que eu fiz foi pensando no futuro dela. Tive que aprender a administrar o tempo, lidar com a culpa da ausência, mas sempre confiante na minha capacidade de vencer todo esse processo” , afirma.
Maternidade fortalece habilidades profissionais
Segundo Paula, a maternidade também contribuiu diretamente para o desenvolvimento de competências importantes dentro da profissão. “A maternidade desenvolve habilidades como empatia, paciência, resiliência e uma visão mais humanizada das relações. Isso se reflete no ambiente de trabalho, em uma postura mais compreensiva e colaborativa com a equipe” , explica.
Ela destaca ainda que a profissão passou a ter um significado ainda maior após a chegada da filha. “A engenharia deixou de ser apenas uma realização pessoal e profissional. Hoje também representa segurança e qualidade de vida para minha filha, já que somos somente eu e ela” , conta.
Mercado ainda precisa evoluir
Apesar dos avanços na participação feminina na engenharia, Paula acredita que ainda há espaço para melhorias, principalmente no acolhimento às mães profissionais. “Atualmente existe bem mais espaço para as mulheres na engenharia, mas ainda precisamos evoluir em relação a condições mais flexíveis de trabalho e maior compreensão sobre a maternidade ”, avalia.
Ela também ressalta a importância do apoio familiar e institucional durante toda a trajetória profissional. “No meu caso, o apoio dos meus pais foi fundamental, tanto durante os estudos quanto nos cuidados com minha filha enquanto eu estava ausente. Mesmo depois de formada, sempre me incentivaram a continuar evoluindo” , afirma. Hoje, Paula soma quatro faculdades concluídas, três especializações, além de mestrado e doutorado.
Papel da AEAN no fortalecimento feminino e inspiração para outras mulheres
Para a engenheira, entidades de classe também possuem papel importante no fortalecimento da presença feminina na engenharia.
“O apoio da AEAN é fundamental para fortalecer a representatividade e criar um ambiente mais acolhedor para mulheres e mães na engenharia”
, destaca.
Ao deixar uma mensagem para mulheres que desejam construir carreira na engenharia sem abrir mão do sonho da maternidade, Paula reforça que o equilíbrio é possível. “Não existe um modelo perfeito. Cada mulher encontrará sua própria forma de equilibrar essas duas áreas da vida. O mais importante é não abrir mão dos seus sonhos por medo das dificuldades. Ser mãe não diminui a competência profissional, pelo contrário, agrega novas habilidades e fortalece ainda mais a trajetória” , finaliza.
A AEAN parabeniza todas as mães engenheiras, arquitetas, agrônomas e profissionais da área tecnológica que diariamente demonstram dedicação, competência e força em suas jornadas pessoais e profissionais. A entidade também agradece ao CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) pelo apoio contínuo às ações de valorização da mulher na engenharia.
