Irritabilidade, alterações no sono, birras frequentes e dificuldade de concentração podem ser mais do que comportamentos passageiros. Segundo a psicóloga Lívia Benez Breda, esses sinais, quando persistem por semanas ou meses, podem indicar um quadro de ansiedade e merecem avaliação profissional.
"Os sintomas da ansiedade costumam ser percebidos por pais e professores, mas muitas vezes são confundidos com irritabilidade, alterações no sono, birras ou brigas. Quando esses sinais persistem por semanas ou até meses, eles precisam ser avaliados com um olhar clínico e diferenciado."
explica.
De acordo com a psicóloga, um dos fatores que mais têm contribuído para o aumento da ansiedade é o uso excessivo de telas. Ela afirma que o problema atinge crianças, adolescentes e adultos.
"O que mais tem contribuído para o aumento da ansiedade em adolescentes, crianças e adultos é o uso excessivo das telas. Além da grande quantidade de informações consumidas ao longo do dia, a luz azul emitida por celulares, tablets e computadores interfere na qualidade do sono, o que também impacta diretamente a saúde emocional"
, afirma.
Segundo Lívia, a tecnologia tem ocupado o espaço de atividades importantes para o desenvolvimento emocional e para a convivência familiar.
"Estamos substituindo atividades que poderíamos fazer com as mãos ou ao lado das pessoas de quem gostamos, como a nossa família, pelo tempo em frente ao celular."
A especialista também chama a atenção para a redução da capacidade de concentração das crianças, consequência do consumo constante de conteúdos curtos nas redes sociais.
"As crianças já não conseguem manter a atenção durante uma aula de 50 minutos, porque estão habituadas ao consumo de vídeos de cerca de 15 segundos. Isso tem prejudicado a concentração e contribuído para um aumento significativo da ansiedade."
Entre os adolescentes, outro comportamento preocupa a especialista: a dificuldade de se desconectar do celular.
"Eles têm dificuldade de se desvincular do celular porque, quando se desconectam, sentem que estão fora do próprio grupo social, como se estivessem perdendo conversas ou acontecimentos importantes. Isso acaba alimentando uma ansiedade interna constante."
Para a psicóloga, um dos principais desafios atualmente é resgatar a escuta dentro das famílias.
"Hoje em dia, é cada vez mais difícil as pessoas pararem para escutar o outro. Os pais precisam perguntar como foi o dia dos filhos, como foi a escola e o que está acontecendo. Mais do que isso, precisam realmente ouvir o que eles têm a dizer e também aprender a se escutar."
Ela ressalta que, diante de um adolescente ansioso, o acolhimento costuma ser mais importante do que tentar oferecer soluções imediatas. "
O maior erro que a escola e a família cometem é suprir o que eles não precisam. Frases como 'vai passar' ou 'fica calmo' não ajudam. Um adolescente ansioso quer alguém que suporte esse processo com ele, que esteja ao lado dele enquanto vive essa ansiedade. Ele precisa de alguém que escute, e não de alguém que abafe esse sentimento"
,
finaliza.
SERVIÇO
Lívia Benez Breda é formada em Psicologia e pós-graduanda em psicanálise lacaniana. Atua com crianças, adolescentes e adultos.
Seu trabalho é fundamentado na escuta individual de cada paciente, oferecendo um espaço de acolhimento, cuidado emocional e autoconhecimento. Atendimento on-line e presencial em Araçatuba (SP)
Endereço:
Rua Fernando Costa, 223 – Bairro das Bandeiras
WhatsApp:
(18) 99630-0609
E-mail:
psiliviabbreda@gmail.com
Registro profissional:
CRP
06/228765
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