A harmonização orofacial ganhou espaço nos últimos anos e passou a fazer parte da rotina de pessoas que buscam mudanças estéticas na face. Ao mesmo tempo, a popularização dos procedimentos nas redes sociais também trouxe dúvidas, tendências e informações que nem sempre correspondem à realidade clínica.
É nesse cenário que a cirurgiã-dentista Ronise Piato, que atende no Instituto Corbi, em Araçatuba, destaca a importância de uma avaliação individualizada antes da escolha de qualquer procedimento. Especialista em Prótese Dentária e Harmonização Orofacial, mestre em Odontologia e professora substituta na UNESP em 2025, a profissional defende que o tratamento deve começar pelo diagnóstico e não pela escolha de uma técnica específica.
A especialista explica que a harmonização orofacial reúne diferentes procedimentos, como toxina botulínica, preenchedores faciais, bioestimuladores e tecnologias. No entanto, a indicação de cada recurso depende das características e das necessidades de cada paciente. “O mais importante não é pensar primeiro nos procedimentos, mas no diagnóstico. Eu escuto as queixas do paciente para construir um tratamento individualizado e buscar, junto com ele, uma harmonia para a face”, explica Dra. Ronise.
Harmonização não é receita pronta
Um dos principais mitos relacionados à harmonização orofacial é a ideia de que um mesmo procedimento pode ser aplicado da mesma maneira em diferentes pessoas. Para a especialista, cada rosto possui características próprias e precisa ser analisado individualmente.
A avaliação também considera a dinâmica da face. Isso significa observar não apenas a aparência em repouso, mas os movimentos realizados durante a fala, as expressões faciais e a função muscular.
“O paciente chega com uma queixa e se olha no espelho de forma estática. O profissional precisa avaliar a face em movimento, considerando a musculatura, a boca, a língua, a fala e as expressões. Tudo isso faz parte do planejamento para buscar um resultado natural”
, afirma.
Essa análise permite que o profissional compreenda melhor as características de cada paciente e estabeleça um planejamento de acordo com a queixa apresentada, em vez de simplesmente reproduzir procedimentos que estejam em alta.
Redes sociais podem alimentar expectativas
A popularização da harmonização orofacial também trouxe um novo desafio para os profissionais: lidar com a quantidade de informações disponíveis nas redes sociais. Vídeos e imagens podem despertar o interesse por determinados procedimentos, mas não necessariamente apresentam todas as condições envolvidas em uma indicação clínica.
A especialista afirma que muitos pacientes chegam ao consultório já interessados em uma técnica específica que conheceram no Instagram ou no TikTok. Nesses casos, o papel do profissional também é esclarecer se aquele procedimento realmente faz sentido para a necessidade apresentada.
“Hoje temos uma enxurrada de informações nas redes sociais e algumas não são verdadeiras. Por isso, é importante filtrar o conteúdo e buscar profissionais responsáveis, que trabalhem com técnicas baseadas na literatura científica”
, destaca.
Segundo ela, a expectativa por resultados imediatos também precisa ser discutida durante a consulta. Nem sempre uma mudança mais rápida representa a alternativa mais adequada ou segura para o paciente.
Segurança deve estar acima da tendência
A Dra. Ronise explica ainda que é de extrema importância colocar a segurança do paciente em primeiro lugar. A indicação de um procedimento deve considerar as características individuais, os objetivos do tratamento e os limites de cada técnica.
“Às vezes, o resultado não pode vir de forma tão imediata, porque isso não significa necessariamente que seja o melhor ou o mais seguro para o paciente”
, explica.
Nesse contexto, a decisão de não realizar determinado procedimento também pode fazer parte de uma conduta responsável. Segundo a especialista, a atuação profissional envolve orientar o paciente e, quando necessário, dizer não a procedimentos que não sejam indicados.
A proposta é substituir a busca por resultados imediatos por um acompanhamento planejado, com objetivos definidos e foco na saúde e na naturalidade.
“Eu quero trazer ao paciente a consciência de que ele precisa tratar, mas não de uma forma imediata. É um gerenciamento que vai trazer saúde a longo prazo, e não apenas resultados imediatos”
, afirma.
Para quem considera realizar algum procedimento, a principal orientação é não escolher uma técnica apenas porque ela está em alta. A indicação deve partir de uma avaliação individual e de uma conversa transparente com o profissional sobre expectativas, possibilidades e limitações.
SERVIÇO
Instituto Corbi
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