O HB (Hospital de Base) de São José do Rio Preto (SP), em parceria com o Unisalesiano de Araçatuba, realiza nos dias 4 e 5 de maio, o CDME (Curso de Comunicação em Situações Críticas e de Determinação em Morte Encefálica), para equipe multiprofissional de diversas cidades da região pertencentes ao DRS-2 (Departamento Regional de Saúde).
O objetivo é fornecer aos participantes as habilidades técnicas, éticas e jurídicas necessárias para realizar o diagnóstico de morte encefálica, orientar sobre a melhor maneira de lidar com o luto e abordar questões como a comunicação de más notícias, além do processo de solicitação de doação de órgãos, entre outros tópicos.
Para o coordenador da OPO (Organização de Procura de Órgãos) do HB, Dr. João Fernando Picollo, a comunicação assertiva faz toda a diferença na aceitação da família no momento da doação de órgãos. “A maneira como se comunica faz toda a diferença no entendimento do familiar que recebe a informação. Esse entendimento claro facilita a relação médico-paciente", comenta.
Ainda de acordo com ele, hoje, a taxa de aceitação para a doação de órgãos em nossa região é maior que a do Estado de São Paulo . "Isso graças aos treinamentos e capacitações no qual obtemos resultados semelhantes e muito melhores do que a média nacional, devido a facilidade que os profissionais aqui da nossa região têm em comunicar o estado crítico de um paciente para o familiar”, explica Dr. Picollo.
Rio Preto tem bons índices de doações
A atuação da OPO na capacitação dos profissionais de saúde de Rio Preto e região reflete os bons índices na aceitação das famílias nas doações de órgãos. Em Rio Preto, o número de doadores por milhão de habitantes é de 31. Já no Estado de São Paulo, o índice está em 22.
Picollo reforça que um dos maiores desafios ainda é a aceitação dos familiares na hora da doação. “Um dos pontos mais críticos é a conversa com os familiares que são os únicos que podem, por lei, autorizar a doação. Por isso é tão importante manifestar o desejo de doar órgãos e abordar sobre esse tema com a família”, afirma.
Atualmente, no Brasil, a taxa de autorização das famílias é 55% e na região de Rio Preto esse número é de 75%. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil é referência mundial em doação e transplantes de órgãos, garantido de forma integral e gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde), responsável por financiar e fazer mais de 88% de todos os transplantes de órgãos do país.
O Brasil realizou mais de 6,7 mil transplantes entre janeiro e setembro de 2023. Esse foi o melhor resultado dos últimos 10 anos, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
