Na era digital, muitas informações envolvendo a Odontologia são amplamente divulgadas nas redes sociais. Porém, algumas postagens geram dúvidas e curiosidades sobre cuidados, prevenção e higienização bucal. Dentre essas informações, o que será verdade e o que será mito?
Pensando nisso, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) consultou especialistas da Câmara Técnica de Dentística e Periodontia, que responderam algumas perguntas sobre a temática:
Quais são as consequências que a cárie pode causar?
O Prof. Dr. Sérgio Brossi Botta, presidente da Câmara Técnica de Dentística do CROSP, explicou se as complicações da cárie podem ter como consequência a morte de algumas pessoas. “Uma lesão de cárie pode se tornar uma porta de entrada de bactérias para a corrente sanguínea. Quando uma cárie se torna mais profunda, a ponto de comprometer a polpa do dente, ou seja, a parte interna do dente onde se encontram vasos e nervos, as bactérias ali instaladas poderão percorrer a corrente sanguínea, acarretando, assim, danos a vários órgãos do corpo” . Ele esclarece que uma bacteremia transitória pode se alojar no órgão que esteja frágil, causando inflamações e doenças que podem levar, sim, o paciente à morte, como meningite e embolia pulmonar, por exemplo.
O clareamento dental pode danificar os dentes?
Em relação ao clareamento dental, Brossi disse que o procedimento não é invasivo e permite a preservação da estrutura dental original. “O clareamento dental não danifica os dentes. O único efeito adverso é a possível sensibilidade dentária após o clareamento, principalmente ao se utilizar peróxido muito concentrado, podendo ocorrer uma sensibilidade de leve a severa. Porém, não tem durabilidade acima de 72h. Sabe-se que o esmalte dental é um tecido permeável, assim, o peróxido de hidrogênio - que possui baixo peso molecular - consegue penetrar e, durante a penetração do gel no tecido para quebrar as macromoléculas de pigmentos, parte desse peróxido pode entrar também em contato com as terminações nervosas da dentina e da polpa, ativando os nociceptores e desencadeando uma reação inflamatória, causando sensibilidade durante ou após o clareamento” .
Molhar ou não o creme dental antes da escovação?
O cirurgião-dentista Dr. Marcelo Cavenague, respondeu que isso não faz diferença nenhuma na hora da higiene bucal, antes da escovação. “Se é agradável para você, pode molhar. Mas, convenhamos, como a boca é um lugar úmido, mesmo não molhando o creme dental, assim que começar sua escovação, fatalmente ele ficará encharcado. O importante é saber que devemos usar uma quantidade pequena de creme dental e que ele deve conter flúor” .
É necessário trocar a escova de dente após episódio de gripe?
Sobre a troca de escova de dente após uma gripe, o Cavenague afirma ser mito. “Quando você contrai o vírus da gripe, não existe o risco de se infectar com o mesmo vírus em seguida. Caso isso aconteça, foi certamente por outra cepa com características diferentes em função de alguma mutação, o que é muito comum no caso do vírus da gripe. Mas fique tranquilo, pois essa mutação não acontece na sua escova entre duas escovações” , orienta o especialista.
Deve-se escovar os dentes logo após a refeição?
O cirurgião-dentista diz que o hábito vai depender de cada paciente após avaliação de um profissional, visto que um paciente com alto risco de ter cárie deve realizar a escovação logo após as refeições, enquanto pacientes com risco de erosão ácida recebem a recomendação de esperar 15 minutos para que o pH bucal volte ao normal.
Faz mal o uso de enxaguante bucal?
Cavenague respondeu que dependerá do tipo de enxaguante bucal usado. “Alguns enxaguantes podem causar manchas e alteração de paladar com o uso prolongado. Já aqueles com flúor na composição podem ser necessários em caso de alto risco de cárie. A verdade é que não devem ser usados sem avaliação e indicação do profissional” , pontua.
