Pequenas ações repetidas diariamente podem causar grandes prejuízos à saúde bucal sem que a pessoa perceba. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo de doença bucal. No Brasil, especialistas em odontologia alertam que muitos desses problemas não estão ligados apenas à falta de higiene, mas a comportamentos aparentemente inofensivos incorporados à rotina.
O desgaste do esmalte, o aumento do risco de cáries e até fraturas dentárias costumam surgir de forma gradual. O impacto não é imediato, mas cumulativo, o que dificulta a associação entre causa e consequência. Em centros de diagnóstico por imagem, como a Brazil Imagem 3D, em Araçatuba, a orientação é clara: identificar precocemente esses hábitos e suas consequências é fundamental para apoiar o cirurgião-dentista na prevenção e no planejamento de tratamentos mais complexos.
Hábitos que passam despercebidos
Bruxismo: ranger ou apertar os dentes, condição conhecida como bruxismo, é um dos comportamentos mais comuns. O problema costuma ocorrer durante o sono e pode provocar desgaste severo do esmalte, dores musculares, estalos na articulação da mandíbula e dor de cabeça frequente. O diagnóstico deve ser feito por um cirurgião-dentista e, na maioria dos casos, o uso de placa interoclusal personalizada ajuda a proteger os dentes, além do controle do estresse, fator diretamente associado ao quadro;
Comer aos pouco durante o dia: outro hábito bastante comum é 'beliscar' alimentos ao longo do dia. Comer pequenas quantidades com frequência, especialmente produtos ricos em açúcar e carboidratos, mantém o pH da boca constantemente ácido, criando um ambiente favorável ao surgimento de cáries. A recomendação é concentrar as refeições em horários definidos e permitir que a saliva exerça sua função natural de neutralizar os ácidos. Água, queijos e frutas menos ácidas ajudam a reduzir os impactos;
Mascar chiclete: mascar chiclete em excesso também merece atenção. Embora versões sem açúcar estimulem a produção de saliva, o uso contínuo pode sobrecarregar a musculatura da mandíbula e acelerar o desgaste dos dentes. A orientação é moderação, mesmo nas opções sem açúcar;
Alimentos e bebidas ácidas: o consumo frequente de bebidas e alimentos ácidos, como refrigerantes, sucos cítricos e energéticos, é outro fator de risco importante. Após a ingestão, o esmalte fica temporariamente mais sensível. Escovar os dentes imediatamente pode agravar o desgaste. O indicado é enxaguar a boca com água e aguardar pelo menos 30 minutos antes da escovação;
Força na escovação: a força excessiva ao escovar os dentes também é um erro comum. A limpeza eficaz depende da técnica, e não da pressão. Escovas de cerdas macias e movimentos suaves ajudam a evitar retração gengival e a exposição da raiz do dente;
Roer unhas e abrir embalagens: hábitos de pressão mecânica, como roer unhas ou usar os dentes para abrir embalagens, representam riscos significativos. Essas práticas podem causar microtrincas, fraturas e danos irreversíveis. Para quem rói unhas, alternativas como esmaltes de sabor amargo ou atividades que ocupem as mãos podem ajudar. Em situações persistentes, o acompanhamento profissional para controle da ansiedade é indicado.
Prevenção é o melhor caminho
Especialistas reforçam que a maioria desses problemas pode ser evitada com informação, mudanças simples de comportamento e acompanhamento odontológico regular. Consultas periódicas permitem identificar sinais iniciais de desgaste e intervir antes que o dano se torne irreversível.
Cuidar do sorriso vai além da escovação diária, reconhecer hábitos nocivos e corrigi-los a tempo é essencial para manter a saúde bucal e evitar procedimentos mais invasivos no futuro.
