O avanço das ferramentas de inteligência artificial tem levado muitos brasileiros a utilizarem a tecnologia como apoio na hora de preencher a declaração do Imposto de Renda. Apesar da praticidade, o uso sem critério pode gerar erros e comprometer a entrega correta das informações à Receita Federal.
Na avaliação de Ademar Mota, professor de Ciências Contábeis do Unitoledo Wyden, o principal problema está na forma como essas ferramentas são utilizadas. “A inteligência artificial pode auxiliar na organização das informações e esclarecer dúvidas mais simples, mas não substitui o conhecimento técnico nem a análise detalhada de cada caso” , afirma.
Segundo o especialista, entre as falhas mais frequentes estão o compartilhamento de dados pessoais em ambientes digitais abertos, a confiança integral nas respostas fornecidas pelas plataformas e o uso de informações que podem não refletir as regras mais atualizadas da legislação. Esses fatores aumentam o risco de inconsistências na declaração e podem levar o contribuinte à malha fina.
Outro ponto de atenção é a falsa sensação de segurança. Muitos usuários acreditam que a tecnologia garante precisão total, quando, na prática, ela depende da qualidade das informações inseridas e do contexto fornecido. “A responsabilidade sobre os dados declarados é sempre do contribuinte. Por isso, qualquer informação precisa ser conferida com base em documentos oficiais” , reforça Ademar.
Além disso, erros tradicionais continuam sendo recorrentes, independentemente do uso de ferramentas digitais. Omissão de rendimentos, divergências em despesas dedutíveis e inconsistências cadastrais seguem entre os principais motivos que levam a problemas com a Receita.
Para o professor, a inteligência artificial deve ser vista como um recurso complementar, e não como solução definitiva. O uso consciente, aliado à conferência cuidadosa das informações, é fundamental para evitar equívocos. Em casos mais complexos, a orientação de um profissional da área contábil continua sendo o caminho mais seguro.
Ao final, a recomendação é clara: utilizar a tecnologia com cautela, revisar todos os dados antes do envio e priorizar sempre fontes confiáveis. Em um cenário de transformação digital, o equilíbrio entre inovação e responsabilidade é essencial para garantir uma declaração correta e sem riscos.
