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Vacina contra HPV pode combater câncer do colo do útero

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a cada ano, mais de 310 mil mulheres morrem da doença no mundo

Santa Casa Saúde* 
17/02/21 às 20h00
Em 2014, foi iniciada a implementação no Sistema Único de Saúde da vacinação gratuita contra o HPV em meninas de 9 a 13 anos (Foto: Gustavo Fring/Banco de imagens)

A vacinação contra o HPV (Papiloma Vírus Humano) é eficaz e necessária para prevenir inúmeras doenças ginecológicas, inclusive para erradicar o câncer do colo do útero, segundo aponta estudo financiado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), em 2018. 

De acordo com o estudo, dez anos após o início da vacinação como medida de saúde pública em países desenvolvidos, houve uma queda significativa no número de infecções por HPV e de lesões pré-cancerosas no colo do útero.

Segundo os pesquisadores, isso indica que a eliminação do câncer cervical – definida como menos de quatro casos por 100 mil – pode ser possível se uma cobertura vacinal suficientemente alta puder ser atingida e mantida.

“Nosso trabalho sugere que em países desenvolvidos com alta cobertura vacinal e onde várias faixas etárias de meninas (9 a 18 anos) foram vacinadas no início do programa, o câncer de colo do útero pode ser eliminado nas próximas décadas”, explicou a epidemiologista e principal autora do estudo Mélanie Drolet, da Universidade Laval, no Canadá, em entrevista à revista Veja. 

Câncer do colo de útero

Dados da IARC, sigla em inglês para Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, mostram que aproximadamente 570 mil novos casos de câncer do colo do útero foram diagnosticados mundialmente em 2018, o que torna este o quarto tipo de câncer mais comum no planeta. Noventa porcento dessas mortes ocorrem em países de baixo e médio desenvolvimento, como o Brasil. 

No Brasil, em 2020, foram esperados 16.710 casos novos, com um risco estimado de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. É a terceira localização primária de incidência e a quarta de mortalidade por câncer em mulheres no País, sem considerar tumores de pele não melanoma. Em 2019, ocorreram 6.596 óbitos por esta neoplasia, representando uma taxa ajustada de mortalidade por este câncer de 5.33/100 mil mulheres, segundo informações do INCA (Instituto Nacional de Câncer). 

O câncer do colo do útero é caracterizado pela replicação desordenada do epitélio de revestimento do órgão, comprometendo o tecido subjacente (estroma) e podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou à distância. Há duas principais categorias de carcinomas invasores do colo do útero, dependendo da origem do epitélio comprometido: o carcinoma epidermoide, tipo mais incidente e que acomete o epitélio escamoso (representa cerca de 90% dos casos), e o adenocarcinoma, tipo mais raro e que acomete o epitélio glandular (cerca de 10% dos casos). Ambos são causados por uma infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV.

É uma doença de desenvolvimento lento, que pode cursar sem sintomas em fase inicial e evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados.

Vacinação contra HPV no Brasil

O Ministério da Saúde, em 2014, iniciou a implementação no Sistema Único de Saúde da vacinação gratuita contra o HPV em meninas de 9 a 13 anos, com a vacina quadrivalente. Esta faixa etária foi escolhida por ser a que apresenta maior benefício pela grande produção de anticorpos e por ter sido menos exposta ao vírus por meio de relações sexuais.

Em 2017, as meninas de 14 anos também foram incluídas. Além disso, o esquema vacinal do SUS foi ampliado para meninos de 11 a 14 anos. Já para o público com HIV serão realizadas três doses com intervalo de dois a seis meses.

Vale destacar que a vacina é um meio de prevenção que não deve, em momento algum, substituir os exames preventivos. Além disso, é fundamental que, em toda relação sexual, sejam usados preservativos a fim de evitar, além dos outros tipos de HPV, outras doenças sexualmente transmissíveis.

Para ter acesso ao estudo completo da OMS, clique aqui: The Lancet

 

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