A 7ª edição do Vams (Voluntariado Acadêmico Missionário Salesiano), promovido pelo Unisalesiano no mês de julho, deixou marcas profundas nos acadêmicos participantes e nas comunidades indígenas Bororo e Xavante, no Estado de Mato Grosso. Mais do que uma missão pontual, o projeto se consolidou como um verdadeiro encontro de mundos, valores e afetos.
Antes mesmo da partida, os voluntários, juntamente com alunos do Colégio Salesiano “Dom Luiz Lasagna” e a comunidade da Capela São Domingos Sávio, se mobilizaram em diversas campanhas solidárias, arrecadando alimentos, roupas, cobertores, brinquedos, leite e medicamentos.
Uma das ações mais emblemáticas foi a “Farmácia na Aldeia”, coordenada pela acadêmica de Biomedicina, Louise Elias de Carvalho. O objetivo era reunir medicamentos básicos para abastecer a UBS (Unidade Básica de Saúde) da aldeia xavante de São Marcos. “Sentimos que é um esforço pequeno perto de tudo que eles vivem e precisam, mas é um passo importante para melhorar o bem-estar das comunidades” , afirma Louise.
Além da arrecadação de insumos, eventos como venda de hot dogs também ajudaram a custear a missão. O envolvimento dos acadêmicos refletiu a importância do projeto, que vai além da solidariedade e se torna um espaço de formação integral.
Contagiante
Para o acadêmico de Medicina, Luiz Eduardo Castanhar Olsen, a experiência foi reveladora. “Eu fui achando que ia trazer experiências novas, mostrar como somos em Araçatuba. E percebi que quem aprende somos nós. Eles têm muito mais a nos ensinar sobre união, família, amizade e felicidade. A alegria é contagiante. O VAMS é sobre aprender com eles, e não o contrário” , analisa.
Thaís Maria Ruas dos Santos, aluna do 2º ano de Educação Física, também viveu seu primeiro VAMS e se emocionou com o acolhimento das crianças. “Antes de eu vir pra cá, eu imaginava um trabalho voluntário tranquilo, mas não achei que ia me envolver tanto. O carinho que as crianças têm pela gente vale a pena todo o cansaço. Estou muito feliz, espero vir mais vezes” , diz.
O acadêmico de Farmácia, Igor Landin Rodrigues de Souza, define o VAMS como uma vivência única. “São momentos incríveis, contatos que eu não esperava, afeto que eu não esperava transmitir e receber. Só quem vem para sentir isso entende o que é essa energia” , comenta.
Conhecimento real
Para o Irmão Salesiano, Tarley da Guia Nunes da Mata, que atua na terra indígena São Marcos, a missão vai além da doação material: “É importante que os acadêmicos tenham esse contato pessoal com os povos indígenas. Isso favorece o engajamento, o conhecimento real dessas culturas e uma visão social positiva sobre o outro. É um caminho de reconstrução, sem idealizações, mas com respeito mútuo e convivência” , explica.
Ele também destaca o impacto nas diversas dimensões da vida dos voluntários. “No pessoal, no profissional e no espiritual, os frutos são imensos. Eles percebem que as crianças se lembram deles, que há um vínculo verdadeiro. Isso amadurece e toca profundamente, especialmente quando descobrem a espiritualidade presente na cultura indígena, que tem sua própria forma de enxergar Deus e o mundo” .
Acompanhando a missão junto com a equipe da Pastoral e alguns professores, o Pró-Reitor de Pastoral, Pe. Paulo Eduardo Jácomo, SDB, ressalta que esta é uma campanha com destino certo, com um verdadeiro comprometimento. “Os acadêmicos entendem o sentido da solidariedade e do serviço. Essa missão transforma porque une conhecimento técnico, vivência humana e crescimento espiritual” , conclui.
