Cotidiano

Vírus da poliomielite é encontrado nas fezes de um menino de 3 anos no Pará

Ministério da Saúde e Secretaria do Pará investigam o caso e a suspeita é que o vírus seja resultado de um esquema vacinal aplicado errado.

r7
07/10/22 às 09h06
Vacina via oral é produzida com o vírus atenuado, que não causa a doença FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou nesta quinta-feira (6) que investiga a circulação do vírus da poliomielite no estado, após ter sido detectada a presença do pólio vírus nas fezes de um menino de três anos, que mora na cidade de Santo Antônio do Tauá, localizada no nordeste do estado. 

O Ministério da Saúde foi notificado e existe a suspeita de que o vírus encontrado seja o patógeno atenuado presente nas vacinas contra a paralisia infantil VOP (vacina oral poliomielite), uma vez que no exame não foi detectado o vírus selvagem da poliomielite, que foi erradicado do Brasil em 1989. 
Em nota, a assessoria de imprensa da pasta informou: 

"O Ministério da Saúde informa que não há registro de circulação viral da poliomielite no Brasil.

A pasta enviou equipe ao estado do Pará nesta quinta-feira (6) para investigar um caso de Paralisia Flácida Aguda. De acordo com informações enviadas pela secretaria estadual de saúde, o caso pode estar relacionado a um evento adverso ocasionado por vacinação inadequada. É importante ressaltar que não se trata de poliomielite."

A assessoria de imprensa da Sespa mandou a seguinte nota:

"A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informa que trata-se de um caso ainda sob investigação, em um paciente de 3 anos, de Santo Antônio do Tauá, nordeste do Pará. O Ministério da Saúde foi notificado e também acompanha o caso."

O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde informou que outras hipóteses diagnósticas não foram descartadas, como Síndrome de Guillain Barré. 

A criança começou a apresentar os sintomas em 21 de agosto, com febre, dores musculares, mialgia e um quadro de paralisia flácida aguda, um dos sintomas mais característicos da poliomielite. Dias depois, perdeu a força nos membros inferiores e foi levada por sua responsável a uma UBS (Unidade Básica de Saúde) no dia 12 de setembro.

A Sespa informou que presta toda a assistência ao paciente, que se recupera em casa, e que atua para a rápida investigação e esclarecimento do caso.

Poliomielite com o vírus atenuado
A poliomielite derivada da vacina é pouco comum em países que têm a doença erradicada – o Brasil recebeu a certificação da OPAS/OMS (Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde) em 1994. Ela causa surtos em lugares que têm pequena cobertura vacinal, como aconteceu em 2021 na Nigéria, quando foram detectados 415 casos da doença.

Esse tipo de paralisia infantil acontece depois que as crianças são vacinadas com a vacina oral, que tem vírus vivo enfraquecido, pois elas ainda eliminam os patógenos pelas fezes por algumas semanas.

Em comunidades pouco vacinadas, este vírus pode se espalhar e sofrer mutação de volta para uma versão prejudicial.

De acordo com o vacinômetro do DataSUS, a cobertura vacinal do Brasil, atualmente, é de 61,90%. Sendo que o recomendado é que esse número seja acima de 90%.

Como é o esquema vacinal contra a poliomielite?
O PNI (Programa Nacional de Imunizações) indica que a imunização das crianças devem ser por meio de três doses da VIP (vacina inativada contra poliomielite), aos dois, quatro e seis meses de vida da criança. Aos 15 meses e aos quatro anos todos devem receber o reforço com o imunizante da gotinha, via oral, que contém o vírus atenuado da doença. 

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