Esse sistema de consumo desenfreado, essa verdadeira máquina de moer carne, nos convenceu de que o sucesso é medido pela nossa capacidade de consumir e ser notados. Enquanto ansiamos pela paz de um rancho na montanha ou o sossego de uma casa de praia — onde o café da manhã é um ritual sagrado e o entardecer, um espetáculo gratuito —, empurramos nossos filhos para a mesma ciranda louca que nos adoece.
Estamos tão preocupados em impressionar o outro que esquecemos que o outro, na verdade, mal nos observa. Como nos lembra o filósofo Sêneca: "Não é que temos pouco tempo, mas que perdemos muito." De fato, o julgamento alheio, esse fantasma que nos consome, dura pouco mais que um minuto na mente de quem nos olha, enquanto nós, em nossa vaidade, perdemos horas, dias e anos tentando preencher expectativas que não nos pertencem. Esquecemos que até o Divino, em sua grandeza, não teve tempo para ensaios: Ele foi improvisando soluções conforme o drama da vida se desenrolava. Se nem Deus parou para treinar, por que insistimos em coreografar uma existência que é, por essência, imprevisível?
