Dirigir pelas rodovias e vias urbanas do estado de São Paulo tem se convertido em uma verdadeira via-crúcis.
Sob o falso pretexto de garantir a segurança viária, as autoridades de trânsito paulistas vêm implantando uma engenharia de tráfego caótica, marcada por oscilações inexplicáveis de velocidade e por um apetite fiscal insaciável que parece enxergar no motorista não um cidadão, mas uma mera fonte de recursos para engordar cofres públicos.
O que se testemunha diariamente é um cenário alarmante: trechos que exigem vigilância exaustiva e que transformam o ato de conduzir um veículo em um exercício de estresse psicológico e expropriação financeira.
Transições bruscas e o perigo real de colisões. Um dos maiores absurdos dessa gestão de trânsito reside nas transições abruptas de velocidade. Não é raro o condutor deparar-se com quedas repentinas e drásticas nos limites máximos permitidos — como passagens intempestivas de 90 km/h para 60 km/h, ou reduções drásticas próximas a acessos, viadutos e saídas de pistas expressas.
Essas variações curtas de espaço simplesmente não oferecem tempo hábil ou sinalização antecipada adequada para uma desaceleração segura. O resultado inevitável é o pânico coletivo: tomado pelo medo de ser multado por placas muitas vezes ocultas por vegetação ou mal posicionadas, o motorista freia bruscamente bem em cima do radar. Essa dinâmica perigosa multiplica exponencialmente o risco de colisões traseiras e engarrafamentos repentinos, escancarando a hipocrisia de um sistema que pune em nome da segurança, mas provoca acidentes por falhas de projeto.
A falsa segurança e a consolidação da "indústria da multa". Oficialmente, o discurso oficial tenta legitimar tais armadilhas com estatísticas de sinistralidade e conflitos entre veículos e pedestres. Contudo, a realidade prática grita o oposto. Quando o projeto viário pune a inconstância em vez de promover uma circulação harmônica, fica evidente que o foco migrou da educação para a arrecadação.
O motorista paulista vive sob sobressalto, vigiando o painel mais do que a própria estrada, acuado por um aparato fiscalizatório que transformou o direito de ir e vir em uma atividade de alto risco financeiro.
A vigilância total. O avanço implacável da velocidade média. Para coroar esse cenário distópico ( opressão extrema, controle totalitário e sofrimento), a introdução gradual de tecnologias de fiscalização por velocidade média (ou ponto a ponto) adiciona uma camada inédita de complexidade e invasão. Utilizando câmeras com reconhecimento óptico de caracteres e inteligência artificial, esses sistemas monitoram o tempo exato de percurso entre um pórtico e outro.
