E talvez seja justamente essa diferença que Andradina precise começar a discutir com mais seriedade.
Há pouco mais de um ano, em junho de 2025, a Prefeitura anunciou com destaque a conquista de 260 moradias populares para Andradina: 60 casas pela CDHU e 200 apartamentos pelo Minha Casa Minha Vida, estes últimos apresentados como uma modalidade inédita no município. A notícia foi tratada como uma grande conquista da administração e como uma esperança concreta para centenas de famílias.
Passado mais de um ano, porém, a população ainda espera.
Em fevereiro deste ano, diante de questionamentos, a própria Prefeitura informou que os contratos dos empreendimentos estavam assinados e que as obras começariam em breve. As inscrições, segundo o município, seriam abertas assim que as obras começassem.
Enquanto isso, cidades da nossa região avançam. Em agosto, a CDHU realizou sorteios públicos de 38 casas em Bilac e 185 em Guararapes, totalizando 223 moradias, com investimento estadual de R$ 47,4 milhões.
E Andradina?
Continua esperando pelas 60 casas anunciadas.
É claro que uma obra habitacional envolve etapas, licitações, projetos, contratos e recursos. Ninguém está dizendo que basta anunciar hoje para entregar amanhã. Mas também é legítimo perguntar: qual é o cronograma? Quando começam as obras? Quando serão abertas as inscrições? Quando as famílias poderão, de fato, disputar uma casa?
Porque, para quem não tem moradia, “em breve” não é uma data. É apenas mais uma espera.
E essa sensação de que Andradina vive entre anúncios e entregas incompletas não se limita à habitação.
O Masterplan apresentado pela administração municipal vendeu uma ideia de transformação urbana. A Paes Leme Mall Street seria um dos símbolos dessa nova Andradina. O projeto original previa uma transformação muito mais ampla da tradicional rua comercial, mas a primeira etapa executada ficou restrita a duas quadras. A própria Prefeitura, na época do anúncio, falava em uma sequência de etapas para avançar pelo corredor comercial.
O Mercadão Municipal é outro exemplo. Em outubro de 2024, a Prefeitura anunciou que a obra, orçada em mais de R$ 4 milhões, deveria ficar pronta no primeiro semestre de 2025.
O primeiro semestre de 2025 passou.
Depois veio o segundo.
Estamos em setembro de 2026.
E a pergunta continua sendo a mesma: quando o Mercadão será efetivamente entregue à população?
