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Podcast Sala dos Professores discute racismo no ensino de línguas e na educação

Convidado da semana, o professor Maurício de Souza Neto desenvolve projetos sobre racismo linguístico

Agência Educa Mais Brasil
05/07/21 às 17h50
Agência Educa Mais Brasil

A Língua, enquanto idioma, não tem cor e/ou classe social. Mas por que a maneira de falar de determinadas pessoas é vista como sendo de pouco prestígio? Presente, infelizmente, na base das relações sociais, o racismo é uma das principais respostas para a questão. É sobre esse e tantos outros pontos que o professor e pesquisador de Línguas Maurício Souza Neto vai discutir nesta segunda-feira, 5, às 20h, no podcast Sala dos Professores. 

Apresentado pela professora de redação Carol Silveira, o podcast foi criado para ser uma representação virtual da sala dos professores, local de diálogo entre os docentes e troca de experiência. No Sala de hoje, cuja gravação vai ser transmitida ao vivo pelo YouTube e Instagram e, posteriormente, disponibilizada no Spotify , Maurício também vai levantar questões a respeito de como o ensino de Línguas é feito muitas vezes sem apresentar uma diversidade étnica. 

Isso pode ser observado já nas páginas dos livros que servem de apoio para as aulas. “No caso da língua inglesa , tem materiais didáticos bem pautados em uma norma estadunidense e ou britânica sem pensar, inclusive, nas variedades de sotaque, de vocabulário, de idade ou grupos sociais. E as imagens desses materiais também dizem muito. As pessoas negras muitas vezes são representadas somente quando vai falar de profissões, como doméstica, motorista, coisa do tipo”, aponta o professor.  

O professor alerta para o fato de que isso pode influenciar diretamente no desempenho dos estudantes, já que se vendo representados de forma limitada nas páginas podem achar que é uma realidade que não é feita para eles. “Um aluno que não se vê nos materiais didáticos ou se ele for se atentar à questão da cor e tudo mais e se vê representado em determinadas posições, como no caso, cozinheiro, caixa, atendente, ela cresce acreditando que o mundo pra ele é somente é aquilo, né?”, explica. 

Repensar o vocabulário a partir de uma linguística antirracista 

Além de seu trabalho acadêmico e docente, Maurício também desenvolve projetos na internet como a série “ Educação Linguística Antirracista ”. Nela, composta de vídeos didáticos e reflexivos, o professor explica de maneira didática sobre o tema e aponta caminhos que podemos usar em nossa comunicação a partir de uma perspectiva antirracista.

Isso passa, por exemplo, na eliminação de nosso vocabulário de palavras e expressões de cunho racistas como denegrir, lista negra, a coisa tá preta, criado-mudo ou feito nas coxas. Para o professor, no entanto, é preciso cuidado para não reduzir o antirracismo a apenas uma lista de palavras a serem evitadas. “A gente entra num falso moralismo e num falso politicamente correto. ‘Ah, eu não posso usar criado-mudo, então vou usar mesa de cabeceira, eu não vou falar índio, eu vou falar indígena...’ e aí a gente vai ter sempre aquele antirracismo de vitrine, decorado sem entender de fato o cerne da coisa”, reflete Maurício.

Espaço de troca e discussão de diferentes temas

Com três episódios já disponíveis, o podcast Sala dos Professores é um novo canal de discussão do projeto que tem o mesmo, realizado pelo Educa Mais Brasil . Há um ano, no perfil do Instagram, o Sala tem promovido, de forma leve e divertida, a interação entre professores de todo o país. 

“Por mais que a gente tenha questões em comum, como a precariedade e desvalorização, a gente tem indivíduos com trajetórias muito pessoais e únicas. Então, quanto mais a gente conhece outras realidades de professores no Brasil, mais a gente conhece sobre educação porque é o professor que faz essa educação acontecer, explica a professora Carol Silveira, organizadora do projeto e apresentadora do podcast.

As entrevistas são disponibilizadas com edição toda terça-feira no Spotify. Já o papo ao vivo, sem cortes e com bastidores, é transmitido por meio de uma live simultânea no YouTube e Instagram , sempre às segunda-feira, às 20h. 

“Já teve Alla Miranda, que é ator e diretor, falando sobre humor e educação. Já tivemos a professora Luísa Menezes, falando sobre a pressão estética que as professoras sofrem em sala de aula. Tivemos o Daniel Pinheiro, que é especialista em formação de professores no âmbito tecnológico, falando sobre desafios nesse período de pandemia, de aula on-line. E tivemos, recentemente, o Davi Ferreira, que é psicólogo e falamos sobre saúde mental dos professores”, conta Carol. 

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