Vivemos em um tempo onde as aparências detêm um poder sem precedentes, moldadas pela tecnologia e pela cultura de consumo.
A imagem projetada frequentemente tem mais peso do que a realidade.
Muitos sociólogos, filósofos e observadores culturais argumentam que a sociedade contemporânea, especialmente com a ascensão das mídias sociais e da cultura da imagem, está cada vez mais centrada na aparência, na performance e na imagem externa em detrimento da substância ou da verdade real.
Isso sugere uma individualidade que é superficial. É a fachada do "eu" em vez do "ser" autêntico, “as pessoas usam as outras no agora". Tal postura reflete o lado transacional e utilitário das relações, onde o outro é visto como um meio para um fim imediato, em vez de um fim em si mesmo.
Há uma Negação do Presente. O presente (o agora) é o único ponto da realidade, mas a mente tende a residir no passado (culpa, arrependimento) ou no futuro (expectativa, preocupação). Existe um peso dos pensamentos sobre o que foi e o que será, em contraste com o tempo cronológico (o relógio).
Plataformas como Instagram, TikTok e Facebook incentivam a criação de uma "persona" idealizada. As vidas são curadas, editadas e apresentadas como uma série de "melhores momentos", criando a ilusão de sucesso, felicidade constante e vida perfeita.
Não basta ser competente; é preciso parecer bem-sucedido. Isso se manifesta em títulos, roupas de marca, carros, ou a ostentação de um estilo de vida que nem sempre corresponde à realidade financeira ou emocional.
A compra de bens muitas vezes não é motivada pela necessidade, mas pelo valor simbólico que eles conferem (status, pertencimento, distinção social).
Todos são encorajados a gerir ativamente sua imagem pública como se fossem um produto, enfatizando a importância do marketing pessoal sobre as qualidades internas.
As conexões podem se tornar mais superficiais ou transacionais, baseadas no que o outro parece ser ou no que pode proporcionar em termos de status social ou visibilidade.
Cumpre destacar que a aparência sempre foi importante na interação humana. Desde os rituais tribais até a etiqueta da corte, as pessoas sempre usaram vestuário e comportamento para sinalizar status e intenções. O que mudou é a escala e a acessibilidade dessa performance.
Como resolver o assunto? Em reação a essa cultura, há um movimento crescente valorizando a autenticidade, a vulnerabilidade e a rejeição aos padrões irrealistas (por exemplo, movimentos de positividade corporal e o foco na saúde mental). De nossa parte, nestas poucas linhas, apenas chamamos a atenção para o tema, que sempre foi uma grande fonte de doenças e sofrimentos na história da humanidade, potencializada nos dias de hoje como nunca antes. Cuidemos uns dos outros, muitos estão doentes, muitos.
" A ansiedade, o medo, a preocupação e o estresse são causados por muito futuro e pouca presença" ( Eckhart Tolle – Escritor e conferencista alemão. * 16/02/1948).
