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AINDA TEMOS HERÓIS?

André Davi Martins é Sargento da Polícia Militar, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

Andradina - André Davi Martins
09/02/20 às 17h10
Andre David Martins (Arquivo Pessoal)

Acompanho com preocupação o crescimento de nossos jovens. Vejo que esta geração está crescendo sem motivação, sem heróis, sem ídolos, sem alguém que sirva de referência, que dê a eles um rumo, um norte. Lembro com saudade que na minha infância e adolescência tinha vários heróis no cinema, na TV ou nos gibis que comprava toda semana na Gibilândia do Baiano, na Rua Alexandre Salomão.

Os heróis e mocinhos do cinema, da TV e dos gibis de certa forma sumiram... E os heróis de verdade? Será que ainda existem? Andam por aí? Conhecemos?

Existem sim, caminham entre nós, são de carne e osso e vou elencar alguns aqui.

O primeiro herói de todo mundo é, ou deveria ser, o PAI. A figura paterna é, para toda criança, o primeiro herói, a primeira referência. Quando o pai não dá o devido exemplo, não demonstra, por meio de exemplos práticos, o verdadeiro rumo a seguir, teremos uma criança que crescerá sem parâmetros, achando normal aquela conduta reprovável.


Fumar, beber, falar palavrões e agredir a esposa na frente dos filhos é extremamente nocivo para o desenvolvimento do caráter da criança.

Existe, porém, outro tipo de herói, que ajuda as pessoas e nem sempre é visto reconhecido ou lembrado. Este grupo de pessoas abnegadas trabalha nos bastidores para levar melhorias e qualidade de vida aos menos favorecidos pela sorte ou pela vida.
Não é difícil percebermos que durante todo o ano ocorrem diversos eventos em nossa cidade em prol de entidades como a creche Nana Nenê, APAE, Santa Casa, Hospital do Câncer de Barretos, asilo São Vicente de Paulo de Andradina e asilo Betel de Castilho. Estes eventos são organizados por pessoas que dispendem seu tempo e horário de folga em prol destas entidades trabalhando por vários dias para que tudo saia perfeito. No dia dos eventos encontramos policiais, médicos, dentistas, engenheiros, advogados, empresários e muitos outros profissionais bem sucedidos carregando panelas, recolhendo pratos e talheres, servindo comida e bebida com um pano de prato no ombro e um sorriso no rosto. Muitos empresários e comerciantes doam prendas de menor ou maior valor e até cabeças de gado com valores superiores a 1.000 reais cada a fim de reforçar o caixa destas entidades, cujos gastos são infinitamente maiores que os valores repassados pelo estado.

Muitos doam parte de seu tempo atuando como provedores em diversas instituições da cidade como Asilo, FEA e Santa Casa sem salários.


Não podemos deixar de falar dos clubes de serviço e instituições como Rotary, Lions e Maçonaria. Sem que a maioria das pessoas comuns saiba, estas instituições contribuem organizando os eventos que já citei além de ações sociais que buscam arrecadar medicamentos, equipamentos hospitalares, alimentos, roupas e tantos outros itens que auxiliam na educação e até na vida das pessoas carentes.


Frequentemente e em silêncio óculos de grau são doados às crianças carentes, equipamentos de ar condicionado são comprados, quartos e cozinhas de asilos são reformados com a aquisição de móveis próprios e adequados, cirurgias caras são bancadas, barracas de lona e kits de sobrevivência são enviadas pelo Rotary a diversas zonas de conflito ao redor do planeta.
O Rotary promove desde 1985 uma campanha global com recursos próprios e da Fundação Bill e Melinda Gates visando erradicar a Poliomielite, restando apenas 3 países onde a doença ainda persiste: Afeganistão, Paquistão e Nigéria. (A fundação doa 2 dólares a cada dólar colocado pelo Rotary. Um bilhão e meio de dólares já foram investidos)

O Rotary, que em Andradina possui três clubes, já se uniu em mais de uma ocasião e juntos doaram dois veículos zero km, um para a RAPAC e outro para o asilo São Vicente de Paulo.

Todos estes heróis tem uma coisa em comum: Fazem a caridade de forma espontânea e anônima. Dificilmente você verá alguma forma de propaganda pessoal na rede social desses voluntários. O que pode acontecer, dependendo do caso, é a veiculação da ação realizada pelo clube de serviço como forma de incentivar um maior número de doações e para servir de prestação de contas do que foi doado, mas sempre feito pelo clube, nunca pelos integrantes de forma individual.

Heróis existem sim e estão mais perto do que imaginamos.

Pode ter um aí do seu lado agora e você nem sabe... e nem vai ficar sabendo, porque o que a mão direita faz, a esquerda não pode ficar sabendo, do contrário não é caridade, é promoção pessoal.

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