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Alguém, ajude-me!

Outro dia, passando ao acaso pelas postagens no Facebook, deparei-me com o triste quadro de africanos, especialmente crianças, muitas, com corpos esquálidos, olhares tristíssimos olhando para a câmera, como que a implorar que alguém faça algo.

Revista FALA! Março 2020 - Pr. João Gilberto Romano
06/04/20 às 15h46
Pr. João Gilberto Romano, é pastor na Primeira Igreja Batista em Andradina - Revista FALA! Março 2020

Outro dia, passando ao acaso pelas postagens no Facebook, deparei-me com o triste quadro de africanos, especialmente crianças, muitas, com corpos esquálidos, olhares tristíssimos olhando para a câmera, como que a implorar que alguém faça algo. Tenho acompanhado atentamente a situação que nos cerca, nestes dias em que estamos isolados em nossos lares, o único incômodo é de não podermos desfilar na avenida, nas ruas, nas casas dos amigos e familiares, mas não temos problema com alimentação. Aliás, alguns de nós, se anteciparam e encheram as suas despensas de tudo o que encontraram. Ouvi que um casal foi à uma farmácia e queria levar o estoque de álcool gel, não sei com qual objetivo. Somos assim mesmo oito ou oitenta, alguns acham que agora é o fim do mundo, enquanto outros não “estão nem aí”! Cada um tem o seu próprio jeito.

O brasileiro de modo geral é sempre aquele que tem uma esperança reservada, sempre achando que algo mágico vai aparecer e resolver a situação. Deixamos tudo para a última hora. Lembro da palavra irônica de um professor, que disse a um colega: Não se esqueça que a “Última Hora”, já acabou – a Última Hora era um jornal sensacionalista lá em São Paulo, que noticiava tanto crime, que se dizia que se espremesse saia sangue. Um dia fecharam a redação, e logo surgiu o sucessor: Notícias Populares, um pouco mais brando, mas na mesma linha editorial. Toquei neste aspecto, porque tenho a certeza que um dia a “última hora” vai faltar.

Lembro que li num livro quando soltaram a primeira bomba atômica no deserto do Texas, um experimento, um dos militares que estava no avião exclamou, horrorizado ao ver o dantesco espetáculo: “Meu Deus, criamos o inferno”, isso em 1943 ou menos. Depois lançaram duas delas em Nagasaki e Hiroshima, e os estragos, creio, são sentidos até hoje, a partir dali passamos a viver uma nova etapa neste mundo: A Era Atômica, o terror tomava conta das pessoas ao ouvirem sobre a bomba, mas o tempo tem o condão de nos acostumar com as coisas, com as tragédias.

Um fato nunca sai da minha mente, estava sentado com meu pai, ouvindo um programa humorístico, quando a emissora interrompeu o programa para dar uma notícia, e o repórter disse: “Neste instante, no Marrocos, a cidade de Agadir está sofrendo um terremoto e deu os parcos dados que dispunha de tal tragédia. Eu olhei para o meu pai e, ele tinha lágrimas nos olhos. Dois dias depois vimos algumas fotografias com os estragos. O que ficou na minha mente foi que sem ver nenhuma foto, sem conhecer ninguém, nem ter nenhum parente lá, meu pai chorou por uma tragédia! Os fatos foram se sucedendo, pequenas guerras, revoltas, motins, gangues de rua, homicídios e feminicídios, infanticídios, e as tragédias passaram a ser espetáculos televisivos; e não somente isso, mas os “religiosos da mídia”, explorando a fé que a muito custo ainda resta, se locupletaram, enriqueceram oferecendo “uma religião de ilusão”, acabamos nos acostumando com as desgraças, não temos mais emoção, não temos mais fé, não temos mais esperança. Esse é o retrato sem retoques do tempo que estamos vivendo.

Quem nos dará suporte para enfrentarmos os dias que nos restam? Ouço as pessoas dizer: Só Jesus na causa! Desabafo? Ou algum restinho de esperança ou de fé? Sinceramente não sei. Agora vem um novo “terremoto” Coronavirus, que nos impõe um isolamento social! Apesar de todos os desequilíbrios que como nação sofremos, ainda curtimos a nossa alegria, ainda encontramos parentes e amigos, ainda temos as igrejas que com gente séria, responsável, consciente, procuram desempenhar a sua missão com seriedade, respeito, honestidade. Igrejas que são o refúgio depois de uma semana estafante, de contas para pagar, de doenças que nos atacam, e que nos conduzem a ouvir sermões, orações, cânticos que arejam nossa mente e nosso coração.

Por ora estamos privados da igreja, mas isso não nos impede de buscar em oração, na leitura da Bíblia, nos cânticos dos cds, o bálsamo que alivia os nossos temores. Não basta falar: Só Jesus na Causa, tem que se entregar a Ele e vivenciar os princípios Dele, revelando a fé que temos que Ele resolve as situações. Alguém me ajude a entender os desvarios do nosso tempo. Um abraço.   

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