Quem não se lembra do Fufuda Funerária? Uma lenda em Andradina. Por muitos anos ele foi o proprietário da única funerária da cidade, onde o prédio ficava aberto a noite com caixões na porta. Senhor Roberto Nogueira, o Fufu era um personagem da história andradinense, acabou falecendo na noite de sábado (6) deixando a esposa Vanda e os filhos Beto e Thiago.
Uma pessoa que segundo a amiga Roselana Aguiar era um homem acima do mito que foi criado em torno do seu nome. Um homem de coração generoso, simples e acolhedor. Fez centenas de sepultamentos sem cobrar das famílias que não tinham como pagar.
O amigo Rogério Madeira descreveu um pouco desse homem-mito que fez parte significativa da história de Andradina:
"Lá pelos anos de 1970, quando a terra do Rei do Gado era ainda mais provinciana, buquê de rosas só se conseguia na Funerária do Roberto Nogueira, o popular Fufu, que nos deixou nesta madrugada. O Fufu foi uma figura que poderia estar perfeitamente em uma obra de Ariano Suassuna, Dias Gomes ou Alcir Dias. Com seus inconfundíveis RayBan, camisa branca de botão e calça social preta risca de giz e o bigode à lá Leôncio, Fufu chegava à bordo da clássica Veraneio trazendo buquês e levando defuntos.
Foi vizinho de outro personagem do folclore andradinense, o inesquecível Raimundo do Quebra Galho, na Rodrigues Alves, entre a Alexandre Salomão e a Ceará, já falecido. Ultimamente o Fufu andava doente, tinha deixado de frequentar a feira do Pontilhão, onde era ia todas as terças e sextas comprar pão da Amélia. Da última vez em que conversei com ele, queixou-se do diabetes e da dieta que estava obrigado a cumprir. Citando Ariano Suassuna: Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre. Descanse em paz, Roberto! Vá com Deus, meu amigo Fufu!"
