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Cartas para o céu! Filhos de policiais mortos em combate expõe dor da saudade em mausoléu da PM

“Feliz dia dos pais, papai.

SÃO PAULO
28/02/22 às 12h04
Urubupungá News

“Feliz dia dos pais, papai. Tudo bem aí no céu. É a Mi que tá falando. Estou com saudades!”. Essa é uma entre várias cartas deixadas por filhos de policiais mortos em combate na grande São Paulo. 

A “Mi” da cartinha (foto na galeria), é a pequena Milena que perdeu o pai Osmar Santos Ferreira em junho de 2012, morto aos 31 anos.

A reportagem visitou o Mausoléu da PM, construído no cemitério dos Araças (zona Oeste de São Paulo), onde os policiais são enterrados na condição de heróis, por sacrificarem sua própria vida para defender a sociedade. No local, há pouco mais de duas centenas de PMs sepultados.

O mais triste é que a maior parte deles é jovem. Tal como o soldado Edmar Rodrigo Exposto Gomes que morreu fardado em dezembro 2013, aos 21 anos de idade. Ele não era apenas recém formado na PM, tinha acabado de se tornar pai. Na gaveta onde está sepultado, apenas fotos do filho ainda bebê em seu colo. 

Construído na década de 70, o Mausoléu foi inaugurado em outubro de 74 com os policiais cabo Cidinei Pimenta e o soldado Joaquim Leitão. Os dois teriam sido mortos dentro do carro da PM.  Por de traz de cada gaveta, uma história de vida interrompida no meio do caminho. Sonhos e projetos que não tiveram tempo de serem realizados.

Não apenas homens, mas também policiais mulheres. Margareth de Fátima Marques de Azevedo foi a primeira mulher sepultada no Mausoléu em 1998, aos 28 anos de idade. Ela foi considerada heroína por ter morrido usando a farda, quando tentava evitar um assalto dentro de um ônibus em Guarulhos (Grande SP). Deixou uma filha de apenas 5 anos de idade.

AMOR A CAUSA – Apesar de histórias tão distintas uma das outras, o que une todos esses policiais enterrados no Mausoléu é a causa pelo que morreram. “O mais confortante até mesmo para os familiares é que cada um deles morreu fazendo aquilo que amava. Morreram felizes!”, diz o cabo Almeida, policial da DEC (Diretoria de Ensino e Cultura), que trabalha no local e se reveza com outros companheiros de farda para receber visitantes e familiares de policiais sepultados naquele espaço.  

Com 27 anos de serviço na PM, o cabo Almeida testemunhou muitos colegas mortos no exercício da função. “A gente deixa nossa família para proteger outras que a gente nem conhece. A gente se arrisca, corre risco de morte, mas fazemos isso pela causa que lutamos e acreditamos. Não é pelo que ganhamos (salário), ou outra coisa, e sim porque temos amor à farda. Gostamos de ser policiais”, explicou.

Porém, ele confessa a dor que sente todas as vezes que participa da despedida de um companheiro. “A gente se emociona no toque das trombetas, nas salvas de tiros e quando a bandeira do Brasil é entregue ao familiar do policial durante as honras militares”, recorda Almeida.

Ele explica que o ato da entrega da bandeira nas cerimônias fúnebres de policiais simboliza um agradecimento do comandante ao familiar. “A família entregou à corporação o bem mais precioso que ela tinha. Então uma forma de retribuir é entregar nosso maior símbolo nacional (a bandeira), a esses familiares pela grande perda que tiveram”, finalizou.

O Mausoléu é aberto ao público para visitação e possui uma praça cívica, com 16 estátuas representando as Campanhas Gloriosas da Corporação; área destinada às celebrações religiosas; 270 boxes para ossários; 3 subsolos, contendo 242 gavetas para caixão; e escadas de acesso aos subsolos, bem como elevador para auxiliar idosos, gestantes, cadeirantes ou até mesmo pessoas com mobilidade reduzida. (URUBUPUNGÁ NEWS).

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